O mercado global de metais registrou uma sessão de forte volatilidade na última sexta-feira, 30 de janeiro, com quedas de magnitude rara. A prata chegou a recuar até 31% em relação ao fechamento anterior, enquanto o ouro acumulou perdas próximas de 11%, em um movimento que chamou a atenção de investidores e analistas pela intensidade e rapidez.
Segundo Vitor Cavalieri, head de Internacional da InvestSmart XP, o principal gatilho do movimento foi a confirmação da nomeação de Kevin Warsh como indicado do presidente Donald Trump para assumir a presidência do Federal Reserve, substituindo Jerome Powell. A leitura do mercado é que Warsh possui um perfil técnico, com maior foco no combate à inflação do que no estímulo ao crescimento de curto prazo.
Ao longo de 2025, parte relevante dos investidores globais vinha operando sob a expectativa de uma indicação mais política para o comando do Fed, que pudesse acelerar cortes de juros e enfraquecer o dólar. Esse cenário sustentou a valorização de ativos reais, como metais preciosos. A escolha de um nome associado a uma postura monetária mais conservadora alterou essa narrativa, reforçando a percepção de um dólar mais forte e reduzindo a necessidade imediata de diversificação em metais.
Cavalieri destaca que a intensidade da queda não pode ser atribuída a um único fator. A prata, em particular, acumulava uma valorização próxima de 300% nos 12 meses anteriores, o que tornava um movimento de realização de lucros cada vez mais provável. Esse ajuste foi potencializado pelo elevado grau de alavancagem presente no mercado, que ampliou a pressão vendedora quando os preços começaram a recuar.
A mudança inesperada no cenário forçou a liquidação de posições alavancadas, gerando um efeito em cascata. O episódio foi comparado por analistas ao chamado “Silver Thursday”, ocorrido em 1980, quando o mercado da prata registrou uma queda de cerca de 50% em um único dia.
Outro ponto que chama a atenção dos investidores é a forte discrepância entre os preços da prata no Ocidente e na Ásia. Enquanto o metal físico é negociado na China a valores superiores a US$ 120 por onça, os contratos futuros na COMEX operam em torno de US$ 80 por onça, uma diferença próxima de 50%.
Essa distorção, no entanto, não pode ser explorada via arbitragem. Desde janeiro de 2026, a China proibiu a exportação de prata, classificando o metal como estratégico, o que limita o fluxo internacional e mantém os mercados desconectados. Esse fator adiciona complexidade ao cenário e reforça a volatilidade no curto prazo.









