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PIB do Brasil cresce 2,3% em 2025 com avanço de serviços e consumo do governo no 4º tri

IBGE revisa PIB do 3º trimestre de alta de 0,1% para estabilidade e aponta gasto público como vetor de demanda

O Produto Interno Bruto do Brasil registrou crescimento de 2,3% em 2025 em relação ao ano anterior, resultado em linha com a mediana das projeções de bancos e consultorias coletadas pelo Valor Econômico, que apontavam para o mesmo percentual. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio das Contas Nacionais Trimestrais.

No quarto trimestre, o PIB avançou 0,1% em relação ao terceiro trimestre, também coincidindo com a estimativa mediana do mercado. As projeções dos analistas consultados variavam entre retração de 0,2% e expansão de 0,8%. Na comparação com o quarto trimestre de 2024, o crescimento foi de 1,8%, igualmente dentro do intervalo esperado, que ia de 1,3% a 2,9%.

O IBGE revisou o desempenho do terceiro trimestre de 2025: a variação, antes apontada como alta de 0,1%, foi corrigida para estabilidade. As taxas dos dois trimestres anteriores foram mantidas: o segundo trimestre registrou crescimento de 0,3% e o primeiro, de 1,5%, ambos na série com ajuste sazonal.

Pelo lado da oferta, o desempenho dos setores foi heterogêneo no quarto trimestre. A agropecuária surpreendeu ao registrar expansão de 0,5% ante o terceiro trimestre, resultado que contrariou a projeção mediana de recuo de 1,3%. Na comparação interanual, o setor avançou 12,1%, superando com amplitude a estimativa de 7,6% das instituições financeiras consultadas. O setor de serviços cresceu 0,8% no trimestre, acima da expectativa de 0,5%, e 2% na comparação com o quarto trimestre de 2024, ligeiramente acima da projeção de 1,7%. A indústria, por sua vez, recuou 0,7% ante o terceiro trimestre, resultado pior do que a projeção de queda de 0,3%, e avançou apenas 0,6% na base interanual, abaixo da estimativa de 1%.

Pelo lado da demanda, o consumo das famílias ficou estável no quarto trimestre, aquém da expectativa de crescimento de 0,3%, e avançou 1% ante igual período de 2024, abaixo da projeção de 1,4%. A demanda do governo cresceu 1% no trimestre e foi apontada pelo IBGE como a principal influência positiva no PIB pela ótica da demanda. A Formação Bruta de Capital Fixo, que mede os investimentos em máquinas, construção civil e pesquisa, caiu 3,5% ante o terceiro trimestre.

A coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, contextualizou o desempenho do gasto público. Segundo ela, o crescimento do consumo do governo no período reflete, entre outros fatores, a incorporação de novos servidores em diferentes órgãos da administração pública ao longo de 2025 e o ambiente de ano eleitoral em 2026, que historicamente influencia o ritmo de execução de despesas públicas.

A combinação de consumo das famílias estagnado, queda nos investimentos e expansão do gasto governamental indica uma composição do crescimento no quarto trimestre concentrada no setor público, com menor contribuição do setor privado. A trajetória dos investimentos, em particular, sinaliza redução na formação de capacidade produtiva no período, fator que tende a ser monitorado pelo mercado como indicador da dinâmica de crescimento para os próximos trimestres.

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