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Serviços crescem no ritmo do carnaval em fevereiro, mas receita nominal acende alerta para o Banco Central

Carnaval impulsionou serviços prestados às famílias e transportes em fevereiro, mas receita nominal acumulada em 12 meses preocupa

O volume de serviços prestados no Brasil cresceu 0,1% em fevereiro na comparação mensal, acumulando alta de 2,7% nos últimos 12 meses. O resultado, em linha com as expectativas do mercado, carrega uma leitura mais complexa do que o número headline sugere — e é justamente essa camada de análise que Matheus Pizanni, economista do PicPay, se propõe a desdobrar.

O principal vetor de crescimento do mês foi o grupo de serviços prestados às famílias, que avançou 1,4% beneficiado diretamente pela sazonalidade favorável do carnaval. Os subgrupos de alojamento e alimentação (+1,5%) e outros serviços prestados às famílias (+0,9%) responderam pela maior parte dessa alta. O dinamismo do período festivo também se fez sentir no setor de transportes, com crescimento de 0,6% no grupo, puxado em grande medida pela alta de 1,7% nos transportes terrestres.

Outro destaque positivo ficou por conta dos serviços de tecnologia da informação e comunicação, cuja expansão, na avaliação de Pizanni, tem se mostrado perene nos últimos anos mesmo em um ambiente de juros elevados — comportamento que o economista atribui ao fato de o segmento operar próximo à fronteira tecnológica atual, com taxas de retorno suficientemente atrativas para sustentar a demanda e os investimentos das empresas do setor.

Pelo lado negativo, o grupo de serviços profissionais, administrativos e complementares recuou 0,3%, com a retração concentrada nos serviços de apoio às atividades empresariais — categoria que reúne profissionais em grande medida autônomos e cuja dinâmica responde diretamente ao nível de demanda corrente da economia. Para Pizanni, o comportamento instável desse grupo nos últimos meses pode ser lido como um indicativo da desaceleração econômica em curso. Caso se repita nas próximas leituras, o economista avalia que o movimento tende a confirmar a perspectiva de crescimento mais moderado em 2026.

O ponto que mais chama atenção na análise de Pizanni, no entanto, está na dissociação entre volume e receita. Embora o setor tenha avançado apenas 0,1% em volume, a receita nominal cresceu 1,2% frente a janeiro e acumula alta de 7,3% nos últimos 12 meses. Serviços mais intensivos em mão de obra — como os prestados às famílias, educação e saúde — concentram a maior parte dessa expansão, com crescimento de 10,6% nos 12 meses encerrados em fevereiro.

Para o economista, esse dado reforça a percepção do Banco Central de que a inflação de serviços ainda não respondeu de forma satisfatória aos efeitos da política monetária contracionista — e tende a funcionar como mais um vetor de sustentação à postura cautelosa do Copom nos próximos encontros.

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