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Bull market do Ibovespa segue sólido com capital estrangeiro no comando, avaliam estrategistas

Diferencial de juros, PIB em crescimento, desemprego baixo e peso do petróleo no Ibovespa explicam por que o Brasil atrai fluxo estrangeiro

Com o investidor doméstico ainda contido por uma taxa de juros real elevada, é o capital estrangeiro que tem sustentado a sequência de recordes do Ibovespa — movimento que marcou o fim de 2024, dominou o período entre meados de janeiro e fevereiro deste ano e foi retomado em abril. Para Bruno Takeo, estrategista da Potenza, o interesse do investidor internacional pelo Brasil segue firme e abre espaço para novas altas do índice. “O estrangeiro vê o Brasil com bons olhos, mesmo com a eleição”, afirma. Na sua avaliação, o mercado externo tende a olhar mais para a direção da política econômica do que para o nome do vencedor em 2026. “Se o presidente Lula for reeleito, é mais do mesmo. Se mudar, pode melhorar”, pondera.

A proximidade do Ibovespa dos 200 mil pontos abre espaço para que o índice busque a região de 220 mil a 225 mil pontos — potencialmente até a eleição, ou acima disso, se os vetores atuais se mantiverem. É a leitura de Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora, que descreve o atual momento como um bull market sólido, iniciado por volta de maio de 2025, sem sinais claros de reversão — embora em meio a um ambiente de volatilidade crescente.

Para Mollo, o principal motor desse movimento é o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos. Com a taxa doméstica ainda em patamar elevado, investidores internacionais têm direcionado capital ao país em busca de remuneração, com parte dos recursos indo para a renda fixa e outra parcela migrando para a bolsa. “Nesse cenário, o dinheiro tem saído dos EUA para o Brasil”, resume o analista. A dinâmica ganha força à medida que a inflação global volta a pressionar, reduzindo o espaço para cortes de juros nas economias desenvolvidas e tornando o diferencial brasileiro ainda mais atrativo.

Outro fator relevante na análise de Mollo é o peso do petróleo na composição do Ibovespa. Com a alta da commodity, o mercado brasileiro — bastante exposto a empresas do setor, como Petrobras e companhias juniores de exploração e produção — tende a capturar parte desse movimento. Ao mesmo tempo, a magnitude da valorização do petróleo tem contribuído para a desvalorização do dólar futuro no Brasil, influenciando o posicionamento dos investidores. No plano doméstico, o analista destaca que o Brasil tem se diferenciado de outros emergentes ao combinar crescimento do PIB, desemprego baixo e inflação ainda relativamente próxima da meta — conjunto que posiciona o país como uma espécie de porto seguro relativo dentro do universo emergente, especialmente enquanto persistirem as incertezas externas.

Na política monetária, Mollo espera um corte de 0,25 ponto percentual na próxima reunião, mas chama atenção para a possibilidade de o Banco Central sinalizar uma pausa para avaliar os impactos do petróleo sobre a inflação. Se o diferencial de juros entre Brasil e economias desenvolvidas permanecer elevado por mais tempo, a tendência, na sua avaliação, é que o fluxo estrangeiro continue favorecendo o mercado brasileiro.

A eleição de 2026 aparece no radar, mas não como o principal foco de estresse no curto prazo. Mollo avalia que a disputa tem se desenrolado com volatilidade menor do que em outros ciclos eleitorais, com dois candidatos vistos como mais moderados. O tema central para o investidor, segundo ele, será o fiscal — independentemente do vencedor, será necessário apresentar uma solução concreta para a trajetória da dívida pública. O analista também aponta uma possível rotação setorial na B3 em caso de mudança política: Petrobras poderia sofrer realização mais forte, com capital migrando para setores domésticos ainda defasados, como construção civil, varejo e bancos. Para esse último grupo, os juros altos pesam, mas podem ser compensados pela melhora do spread. Já o varejo, na sua visão, tende a reagir de forma mais consistente quando os cortes de juros ganharem tração — movimento que depende da redução das incertezas globais.

Apesar do ruído, a diretriz de Mollo para o momento é clara: a tendência do Ibovespa continua sendo de alta, e o bull market segue sólido e consistente.

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