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Diálogos mostram que BRB cobriu rombo do Master desde 2024

Em mensagens, Daniel Vorcaro diz que precisaria usar ‘depósito compulsório’ caso dinheiro do banco estatal do DF não entrasse

Registros extraídos do celular do banqueiro Daniel Vorcaro mostram que o Banco Master operava sob pressão de liquidez ao longo de 2024 e dependia de aportes recorrentes do BRB para sustentar seu caixa. As mensagens revelam uma dinâmica contínua de busca por recursos, com cobranças diretas e urgentes pela liberação de operações.

Os diálogos indicam que a estratégia envolvia a cessão de carteiras de crédito ao banco estatal, incluindo consignado e cédulas de crédito bancário. Em um primeiro momento, essas operações eram lastreadas em ativos válidos, mas, segundo as investigações, houve deterioração progressiva da qualidade das carteiras ao longo do segundo semestre de 2024.

A escalada da crise aparece de forma explícita nas conversas. Em setembro de 2024, diante da possibilidade de atraso em um repasse, Vorcaro menciona a necessidade de utilizar o depósito compulsório — mecanismo regulatório destinado à estabilidade do sistema financeiro — para cobrir obrigações imediatas. A referência indica pressão sobre o caixa em níveis críticos.

Nos meses seguintes, os pedidos por aportes se intensificaram, com menções a necessidades de centenas de milhões de reais para recompor liquidez. Ao mesmo tempo, há registros de dificuldades na aceitação de carteiras por parte do BRB, que passou a selecionar ativos considerados de maior qualidade, recusando parte das operações apresentadas.

A partir de 2025, segundo as apurações, a estrutura das operações se tornou mais complexa, com a utilização de intermediários e empresas associadas para viabilizar a transferência de ativos. Nesse período, o Banco Master repassou ao BRB cerca de R$ 4,6 bilhões em 20 contratos apenas entre janeiro e março, antes mesmo do anúncio de uma proposta de aquisição de participação de R$ 2 bilhões.

O volume total de carteiras posteriormente classificadas como problemáticas alcança R$ 12,2 bilhões, de acordo com as investigações. A operação de compra pelo BRB acabou vetada pelo Banco Central do Brasil, em meio ao avanço das apurações.

O caso culminou na liquidação do Banco Master em novembro de 2025, após identificação de irregularidades envolvendo estruturação de ativos e fluxo de recursos. Os elementos extraídos das mensagens reforçam a cronologia da deterioração financeira da instituição e indicam a centralidade dos aportes externos na manutenção de suas operações até o desfecho regulatório.

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