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IPCA-15 abaixo das expectativas não afasta pressões inflacionárias, avalia analista

Apesar da surpresa positiva no IPCA-15 de abril, o choque de oferta do conflito no Oriente Médio e os repasses fiscais do governo mantêm o cenário inflacionário pressionado

O IPCA-15 de abril registrou avanço de 0,89% em relação ao mês anterior, resultado abaixo das expectativas do mercado, que apontavam para alta próxima de 1%. Para Sara Paixão, Analista de Macroeconomia da InvestSmart XP, a surpresa positiva, no entanto, não é suficiente para alterar o tom de cautela que deve prevalecer nas próximas decisões do Copom.

Os principais vetores de alta no mês foram os grupos de Alimentos e Transportes. No caso dos transportes, Paixão destaca que o avanço já era amplamente esperado, dado o impacto direto do conflito no Oriente Médio sobre os preços internacionais dos combustíveis — um efeito que vem se disseminando de forma crescente pela economia brasileira. Apesar do número abaixo do projetado, a analista chama atenção para o que o indicador revela sobre a trajetória mais ampla da inflação: o acumulado em 12 meses chegou a 4,37%, distanciando-se ainda mais do centro da meta, pressionado justamente pelo choque de oferta provocado pelo conflito. O Boletim Focus reforça esse diagnóstico, com avanço nas projeções de inflação para o fechamento de 2026, 2027 e 2028 — sinal de que as expectativas seguem desancoradas no horizonte relevante para a política monetária.

Na avaliação de Paixão, o cenário para os preços ao longo do ano combina fatores altistas e baixistas que precisam ser monitorados de perto. Do lado das pressões, a analista destaca dois elementos centrais: a continuidade do conflito no Oriente Médio, que mantém os preços dos combustíveis e de componentes essenciais como os fertilizantes voláteis e em patamar elevado, e o avanço dos repasses fiscais anunciados pelo governo, que podem reduzir a eficácia da taxa de juros em seu patamar contracionista. Do lado dos fatores que atenuam as pressões, o câmbio tem desempenhado papel relevante: a valorização do real frente ao dólar nos últimos meses contribui positivamente para o controle da inflação e ajuda a amortecer parte dos efeitos do choque no preço de energia sobre os índices domésticos.

Diante desse contexto, Paixão avalia que o cenário exige maior cautela por parte do Copom. A expectativa do mercado é de continuidade no ritmo de cortes, com redução de 25 pontos-base na reunião desta semana. Ainda assim, a analista ressalta que a extensão total do ciclo de flexibilização dependerá da evolução da inflação nos próximos meses — e que os vetores altistas ainda presentes no horizonte deixam pouco espaço para surpresas na comunicação da autoridade monetária.

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