As ações da WEGE3 passaram a enfrentar revisões mais cautelosas por parte de grandes bancos após o resultado do primeiro trimestre de 2026 ficar abaixo das expectativas do mercado. Tanto o Banco Safra
quanto o Itaú BBA
reduziram seus preços-alvo para a companhia, citando pressão sobre margens, demanda doméstica mais fraca e impacto negativo do câmbio.
O Safra cortou o preço-alvo da WEG de R$ 57,40 para R$ 53 por ação e manteve recomendação neutra. Mesmo após a revisão, o banco ainda vê potencial de valorização de cerca de 19% para os papéis.
Já o Itaú BBA reduziu seu alvo de R$ 50 para R$ 48, mas reiterou recomendação de compra para a companhia.
As revisões ocorreram após a divulgação do balanço do primeiro trimestre, que trouxe sinais de desaceleração operacional em algumas divisões estratégicas da empresa, especialmente nos negócios ligados à transmissão e distribuição de energia nos Estados Unidos.
Na avaliação do Safra, a expectativa agora é de crescimento mais moderado da receita nos próximos trimestres e de um segundo semestre ainda pressionado. O banco reduziu em 6,7% sua projeção de receita para 2027, passando a estimar faturamento de R$ 48,8 bilhões.
A instituição também revisou para baixo a margem Ebitda projetada para 2026, de 21,8% para 21,4%, diante da combinação de custos mais elevados de matérias-primas, impacto tarifário nos Estados Unidos e aumento das despesas trabalhistas relacionadas à expansão da capacidade produtiva.
Com isso, o Safra passou a projetar lucro líquido de R$ 6,1 bilhões para 2026, uma redução de 10,7% em relação à estimativa anterior e queda anual de 4,5%.
O Itaú BBA seguiu linha semelhante e afirmou que o desempenho do primeiro trimestre “definiu o tom do ano” para a companhia. Segundo o banco, além da desaceleração em parte das operações internacionais, o valuation da empresa segue elevado, com as ações negociando a cerca de 31 vezes o lucro estimado para os próximos 12 meses.
A projeção do BBA para o lucro líquido de 2026 foi ajustada para R$ 6 bilhões, retração de 6% frente ao ano anterior. Para 2027, a estimativa caiu para R$ 7 bilhões, valor 7% inferior à projeção anterior do banco.
Na véspera, a WEG reportou lucro líquido de R$ 1,45 bilhão no primeiro trimestre de 2026, resultado 5,7% menor do que o registrado no mesmo período de 2025 e abaixo do consenso compilado pela Bloomberg, que apontava expectativa de R$ 1,56 bilhão.
Na comparação trimestral, o lucro caiu 8,2%. O Ebitda somou R$ 2,10 bilhões entre janeiro e março, recuo de 3,2% em relação ao primeiro trimestre do ano passado e de 8,3% frente ao trimestre imediatamente anterior.
Apesar da desaceleração operacional, a margem Ebitda avançou 0,6 ponto percentual em 12 meses, atingindo 22,2% no período.
Mesmo com o ambiente mais desafiador, os bancos destacam que a companhia segue sendo vista pelo mercado como uma empresa de alta qualidade operacional e capacidade de execução, embora agora enfrente um cenário de crescimento mais moderado após anos de expansão.









