A retomada do mercado de IPOs na Bolsa brasileira já começa a movimentar bancos e empresas interessadas em abrir capital nos próximos meses. Após quase cinco anos sem grandes estreias na B3, o Bradesco revelou que mantém conversas com 12 companhias consideradas prontas para realizar ofertas iniciais de ações entre o fim de 2026 e 2027.
As reuniões aconteceram durante a Unlisted Conference, evento realizado em Nova York voltado a empresas privadas e investidores internacionais. Segundo o banco, há interesse de grupos dos setores imobiliário, infraestrutura, minerais críticos, tecnologia, financeiro, agronegócio, saúde e educação.
O movimento ganhou força após a estreia da Compass, empresa de gás do Grupo Cosan, que recolocou o mercado brasileiro de IPOs em atividade com uma oferta bilionária e elevada participação de investidores estrangeiros. A operação foi interpretada pelo mercado como um teste relevante para medir o apetite global por ativos brasileiros em meio ao cenário internacional mais volátil.
Mesmo com os impactos da guerra no Oriente Médio, da alta do petróleo e das incertezas sobre o ritmo de queda dos juros no Brasil, a avaliação de especialistas é de que o fluxo para mercados emergentes pode beneficiar novas ofertas de ações no país.
O presidente do Bradesco, Marcelo Noronha, afirmou ver espaço tanto para emissões locais quanto para captações de empresas brasileiras no exterior.“A queda da taxa de juros é boa para o mercado de capitais”, afirmou o executivo.
Segundo Noronha, o banco observa uma retomada gradual do interesse pelo mercado acionário em meio ao processo de diversificação global de recursos, especialmente com investidores reduzindo exposição aos Estados Unidos e ampliando posições em emergentes.
O braço de banco de investimento da instituição, o Bradesco BBI, assessorou 118 operações no primeiro trimestre, movimentando cerca de R$ 183 bilhões em transações. As receitas da área de banco de investimento cresceram 63% na comparação anual, refletindo o aumento da atividade no mercado de capitais.
A percepção entre bancos e companhias é de que uma eventual continuidade da queda dos juros no Brasil pode abrir uma janela mais favorável para novas ofertas de ações, principalmente em setores ligados à economia doméstica e infraestrutura.










