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Inteligência de dados como aliada para fortalecer o crédito em um cenário de renda pressionada

A preocupação com a inflação e o custo de vida segue como pano de fundo das decisões financeiras das famílias brasileiras

Por Helena Leite, especialista de mercado bancário da TransUnion Brasil

A preocupação com a inflação e o custo de vida segue como pano de fundo das decisões financeiras das famílias brasileiras. Os indicadores mostram um orçamento cada vez mais pressionado e como consequência, a inadimplência continua com a tendência de alta.

Ainda assim, o apetite por crédito permanece resiliente. Em uma análise recente do estudo Consumer Pulse da TransUnion indica que 49% dos consumidores planejam buscar novos recursos, especialmente por meio de cartões de crédito (37%) e empréstimos pessoais (32%). Ao mesmo tempo, o alto custo do crédito reflete uma barreira: 36% dos consumidores que desistiram de solicitar financiamento apontam os juros elevados como principal motivo.

O cenário das instituições financeiras para os próximos 12 meses é de aumento do risco da carteira, pressão por resultados, e conservadorismo na originação. E o desafio é reter bons clientes, ampliar o uso sustentável dos produtos disponíveis e, ao mesmo tempo, antecipar potenciais riscos.

O modelo tradicional, apoiado quase exclusivamente no histórico de crédito negativo e estático, mostra limitações diante de um consumidor mais dinâmico, com múltiplas fontes de renda e comportamento financeiro menos linear.

Na TransUnion, acreditamos que criar oportunidades financeiras significa ajudar organizações a encontrarem clientes ideais para que mais consumidores possam ter maior acesso aos bens e serviços.

Nesse contexto, ganha relevância a capacidade de identificar o comportamento do consumidor ao longo do tempo. Entender a tendências de uso e pagamento do crédito é essencial para montar uma visão de como o consumidor chegou até ali.

Com isso, a leitura mais ampla do comportamento do consumidor – considerando dados alternativos, por exemplo – permite calibrar carteiras, ajustar ofertas de produtos e responder com agilidade às mudanças do cenário macroeconômico.

Dados como pagamento de contas de telefone e energia, por exemplo, funcionam como indicadores valiosos da disciplina financeira cotidiana. Ao ampliar essa visão, as instituições conseguem identificar bons clientes em faixas de risco mais longas, estruturar ofertas mais adequadas e sustentar a rentabilidade mesmo em um ambiente de custo de crédito elevado.

Para o setor financeiro, 2026 tem se mostrado uma oportunidade para além da concessão ou restrição de crédito, mas sobre fazê-lo com inteligência. Enxergar o consumidor em sua totalidade será essencial para atravessar um cenário desafiador sem comprometer inclusão, competitividade e sustentabilidade do mercado.

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