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Gestoras elevam aposta em small caps após rali do Ibovespa

BofA e J.P. Morgan avaliam que queda do risco geopolítico pode reduzir pressão inflacionária e favorecer small caps brasileiras

A valorização acumulada pelo Ibovespa ao longo de 2026 ampliou a diferença de desempenho entre as empresas de maior capitalização da bolsa brasileira e os papéis de menor valor de mercado. Enquanto ações ligadas a commodities, bancos e empresas de grande liquidez concentraram a maior parte dos ganhos recentes, segmentos mais associados ao mercado doméstico permaneceram pressionados pelo ambiente de juros elevados e pelas incertezas fiscais e inflacionárias.

O movimento levou o índice de Small Caps a caminhar para o 11º mês seguido de desempenho inferior ao principal índice da B3, em uma sequência sem registro semelhante nas últimas décadas. A diferença de performance passou a atrair parte das gestoras, que começaram a identificar oportunidades em empresas negociadas a múltiplos mais baixos após as correções recentes.

Na avaliação de gestores, a forte concentração do fluxo estrangeiro em empresas mais líquidas da bolsa contribuiu para ampliar o desconto das companhias médias e menores. O cenário favoreceu principalmente ações ligadas ao ciclo doméstico, mais dependentes da trajetória futura da taxa de juros e da melhora das condições de crédito.

A Vinland Capital informou ter reduzido exposição em parte das ações que lideraram o rali do mercado brasileiro quando o Ibovespa se aproximou dos 200 mil pontos. Segundo a gestora, o avanço das cotações elevou os preços de algumas companhias a patamares considerados difíceis de justificar pelos fundamentos. Ao mesmo tempo, a correção mais intensa em small caps abriu espaço para aumento seletivo de posições.

Entre os segmentos reforçados pela casa estão construção civil, concessões públicas e energia elétrica. Empresas como Cyrela e Direcional passaram a integrar as principais apostas da gestora dentro do setor imobiliário. A avaliação é que o mercado exagerou os impactos potenciais do avanço do petróleo e da inflação sobre companhias voltadas à baixa renda, provocando uma correção acima do esperado nas ações do segmento.

No setor elétrico, a Vinland elevou a exposição à CPFL e manteve posição em empresas como Equatorial e Copel. O segmento é visto como mais previsível em períodos de volatilidade econômica e geopolítica, especialmente pela estabilidade regulatória e pela capacidade de geração de caixa e distribuição de dividendos.

No consumo, a Smart Fit também aparece entre os investimentos priorizados pela gestora. As ações da companhia acumulam desvalorização em 2026, apesar da expansão operacional registrada no primeiro trimestre, quando a rede reportou receita líquida de R$ 2,1 bilhões, com crescimento anual de 25%.

Mesmo com a busca por oportunidades em empresas menores, parte das gestoras mantém postura cautelosa diante das incertezas envolvendo juros, inflação, petróleo e atividade econômica global. A preferência por empresas de maior liquidez continua presente nas carteiras, principalmente como forma de reduzir volatilidade em cenários de instabilidade internacional.

O setor de telecomunicações também segue entre os segmentos considerados defensivos por gestores. A consolidação do mercado após a reestruturação da Oi e a previsibilidade de receitas continuam sustentando o interesse em empresas do setor, principalmente pela combinação entre geração de caixa recorrente e pagamento de dividendos.

A Charles River Capital também ampliou gradualmente a exposição a empresas médias durante as correções recentes da bolsa. Segundo a gestora, a concentração do fluxo estrangeiro em ações de grande capitalização criou distorções em papéis menos acompanhados pelo mercado.

Atualmente, cerca de 60% da carteira da casa está alocada em companhias com valor de mercado inferior a R$ 5 bilhões. Entre os principais setores presentes no portfólio estão agronegócio, bens de capital, base florestal e siderurgia. Empresas como SLC Agrícola, BrasilAgro, Dexco, Eucatex e Usiminas figuram entre as posições mantidas pela gestora.

Apesar da avaliação mais favorável para empresas médias, a Charles River afirma que o cenário ainda exige seletividade, especialmente no setor de construção civil, onde parte das ações continua pressionada pelo custo do crédito e pelo ambiente de juros elevados.

Relatórios recentes de instituições financeiras internacionais também passaram a destacar o desconto das small caps brasileiras em relação ao restante da bolsa. O Bank of America apontou que empresas de menor capitalização ficaram para trás no rali observado em 2026, em um ambiente marcado pela alta dos prêmios de risco nas taxas de juros prefixadas e nos títulos indexados à inflação.

Segundo o banco americano, uma eventual redução das tensões geopolíticas pode beneficiar o segmento, especialmente se houver alívio das pressões inflacionárias globais e retomada do ciclo de cortes de juros pelos bancos centrais. Na semana anterior, o índice de small caps chegou a avançar 3% em dólar diante das expectativas de acordo entre Estados Unidos e Irã, enquanto o Ibovespa registrou queda de 1%.

O J.P. Morgan também mantém avaliação favorável para Brasil e América Latina dentro do universo de mercados emergentes. O banco destaca que a concentração global de investimentos em empresas de tecnologia nos Estados Unidos e na Ásia aumentou a procura por mercados expostos a commodities e setores domésticos, movimento que ampliou o interesse por ativos latino-americanos.

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