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Estrangeiros retiram R$ 8 bilhões da Bolsa brasileira em maio

Ibovespa cai 7% em maio enquanto saída de capital estrangeiro acelera com temor inflacionário global

O fluxo de investidores estrangeiros para a B3 perdeu força em maio e passou a registrar saída líquida de recursos, após meses de forte entrada de capital que impulsionaram o mercado acionário brasileiro no início de 2026.

Segundo dados da bolsa brasileira, o saldo dos investidores internacionais segue positivo no acumulado do ano em R$ 53,9 bilhões. Apesar disso, maio marcou uma reversão relevante no movimento, com retirada líquida de aproximadamente R$ 8 bilhões até o momento.

A mudança ocorre após o Ibovespa atingir o recorde histórico de 198.657 pontos em abril e o dólar recuar para R$ 4,892, em um ambiente que favorecia mercados emergentes diante da expectativa de queda de juros globais.

Os dados mostram que o fluxo começou a desacelerar ainda em abril. O saldo positivo do mês caiu de R$ 15,7 bilhões na metade do período para R$ 3,2 bilhões no fechamento mensal.

Em maio, o movimento de saída ganhou intensidade. Segundo os números da B3, praticamente todos os pregões registraram fluxo negativo, com média diária de retirada de R$ 609 milhões.

No dia 13 de maio, quando vieram a público reportagens envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, a saída líquida atingiu R$ 1,2 bilhão.

Analistas avaliam que a reversão do fluxo reflete principalmente fatores externos, incluindo o aumento das tensões geopolíticas envolvendo o Irã, a alta do petróleo e a reprecificação global das expectativas de juros.

O JPMorgan Chase destacou em relatório que houve forte rotação internacional para ações de tecnologia, favorecendo índices como a NASDAQ Composite, que acumula ganhos em maio.

Segundo o banco, a combinação entre juros elevados nos Estados Unidos, menor perspectiva de cortes da Selic e incertezas políticas no Brasil reduziu a atratividade relativa dos ativos brasileiros no curto prazo.

O mercado também passou a revisar para cima as expectativas de inflação no Brasil. O último Boletim Focus mostrou aumento da projeção do IPCA de 4,80% para 4,92%.

As estimativas para a taxa Selic no fim de 2026 também subiram. A expectativa atual é de juros em 13,25% ao ano, acima das projeções anteriores ao agravamento das tensões geopolíticas.

Nos Estados Unidos, investidores também passaram a considerar menor espaço para cortes de juros pelo Federal Reserve, diante do risco de persistência inflacionária global.

Segundo analistas, esse ambiente favorece ativos de renda fixa e reduz o apetite internacional por mercados emergentes mais sensíveis ao risco.

O movimento afetou diretamente os ativos brasileiros. Em maio, o Ibovespa acumula queda próxima de 7%, enquanto o dólar registra alta de 1,8%.

Além do cenário internacional, o ambiente político doméstico também adicionou volatilidade ao mercado. Parte dos investidores passou a monitorar possíveis impactos eleitorais após o aumento das incertezas envolvendo a pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.

Apesar da saída recente, bancos e gestoras avaliam que o fluxo estrangeiro pode voltar ao Brasil caso haja redução das tensões geopolíticas e queda nos preços do petróleo.

Analistas apontam que um eventual acordo envolvendo o estreito de Hormuz e a redução do risco inflacionário global poderiam favorecer novamente ativos brasileiros.

O valuation da bolsa brasileira também segue como um dos fatores monitorados pelo mercado. Mesmo após a forte valorização registrada no início do ano, o mercado brasileiro continua negociando com desconto em relação a outros emergentes e índices globais.

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