A gestora de private equity IG4 deu mais um passo em sua estratégia de expansão no setor corporativo brasileiro. Após assumir o controle da Braskem no início deste mês, a gestora apresentou uma proposta não vinculante para adquirir créditos da Raízen e participar da reestruturação financeira da companhia.
Segundo informações publicadas pelo Valor Econômico, a proposta foi direcionada aos credores da produtora de açúcar e etanol e distribuidora de combustíveis. A intenção da IG4 é adquirir participação suficiente para controlar mais de 50% dos créditos envolvidos no processo de reestruturação, o que poderia abrir caminho para assumir o controle da empresa após a reorganização financeira.
A estratégia depende da adesão dos credores. De acordo com a reportagem, a gestora somente seguirá adiante caso obtenha apoio de pelo menos metade dos créditos abrangidos pela operação. Entre os principais credores estão investidores detentores de títulos emitidos no exterior, debêntures e Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs).
A movimentação ocorre enquanto a Raízen avança em seu plano de recuperação extrajudicial. Na semana passada, a companhia informou ao mercado que recebeu novas adesões ao plano, elevando o apoio dos credores de 75,45% para 80,15% dos créditos contemplados na reestruturação.
O processo envolve aproximadamente R$ 64,7 bilhões em dívidas, tornando-se uma das maiores reestruturações corporativas em andamento no país. O objetivo da companhia é renegociar obrigações financeiras, alongar prazos e fortalecer sua estrutura de capital em um ambiente ainda marcado por juros elevados e custos financeiros pressionados.
Fontes ouvidas pelo Valor Econômico afirmam que a proposta da IG4 busca reduzir a dispersão entre credores e permitir uma condução mais coordenada da reestruturação financeira da empresa. A gestora não comentou oficialmente a informação.
O movimento reforça a estratégia da IG4 de ampliar sua presença em grandes operações de reestruturação corporativa. No início de junho, a gestora passou a integrar o bloco de controle da Braskem ao lado da Petrobras.
Pela nova estrutura societária da petroquímica, a IG4, por meio do fundo Shine, ficou com 50,1% das ações ordinárias da companhia, enquanto a Petrobras passou a deter 47% dos papéis com direito a voto.
Caso avance também sobre a Raízen, a gestora poderá assumir papel relevante em mais uma das principais companhias dos setores de energia, combustíveis e agronegócio do país, ampliando sua atuação em operações de recuperação e transformação empresarial.










