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FIDCs avançam 36% e ganham espaço no mercado de capitais

Emissões locais crescem 14,1% em 2026, enquanto follow-ons quase quadruplicam e captações externas avançam 46,2%

O mercado de capitais brasileiro movimentou R$ 283 bilhões em ofertas encerradas entre janeiro e maio de 2026, volume 14,1% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. Os dados divulgados pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) mostram que o crescimento foi impulsionado principalmente pelo avanço dos Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), que ampliaram participação nas operações de financiamento corporativo.

As emissões de FIDCs alcançaram R$ 41,7 bilhões nos cinco primeiros meses do ano, crescimento de 36,5% na comparação anual. O instrumento consolidou-se como a segunda principal fonte de captação do mercado de capitais, atrás apenas das debêntures. Além do aumento em volume, os fundos lideraram com ampla margem o número de operações realizadas, somando 406 emissões no período.

As debêntures permaneceram na liderança em volume financeiro, com R$ 146,3 bilhões captados, embora tenham registrado recuo de 5,9% em relação ao mesmo intervalo de 2025. A diferença entre os dois instrumentos diminuiu significativamente. No ano passado, as debêntures movimentaram R$ 155,5 bilhões, enquanto os FIDCs captaram R$ 30,5 bilhões. Em apenas um ano, a distância entre ambos foi reduzida em cerca de 26%.

Segundo a Anbima, os FIDCs vêm ganhando relevância por oferecerem uma alternativa de financiamento para empresas que ainda não possuem escala suficiente para acessar o mercado de debêntures. O perfil dessas operações costuma envolver emissões menores e maior diversidade de emissores.

Para Guilherme Maranhão, presidente do Fórum de Estruturação de Mercado de Capitais da entidade, o desempenho das emissões locais e internacionais demonstra o amadurecimento do mercado brasileiro e sua capacidade de atender diferentes perfis de investidores e empresas por meio de estratégias variadas de captação.

No segmento de renda variável, as ofertas subsequentes de ações, conhecidas como follow-ons, somaram R$ 13,8 bilhões entre janeiro e maio, quase quatro vezes o volume registrado no mesmo período de 2025, quando atingiram R$ 3,5 bilhões. Apenas em maio, o mercado de capitais movimentou R$ 47 bilhões em 238 operações, crescimento de 7,3% em valor financeiro e de 14,4% em quantidade de emissões na comparação anual.

No agronegócio, os instrumentos de financiamento apresentaram comportamentos distintos. As Cédulas de Produto Rural Financeiras (CPR-Fs) movimentaram R$ 6 bilhões nos cinco primeiros meses do ano, volume que já supera em 35,8% o total registrado durante todo o ano de 2025. Em sentido contrário, os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) registraram queda de 56,4%, somando R$ 5,4 bilhões em emissões.

A mudança reflete uma migração de parte dos emissores para as CPR-Fs em um ambiente de crédito mais restritivo para o setor agropecuário, que tem buscado alternativas para financiar suas atividades.

No mercado internacional, as emissões de renda fixa alcançaram US$ 20,2 bilhões entre janeiro e maio, avanço de 46,2% na comparação anual. Mais da metade desse volume teve origem em operações da República, responsável por 53,6% das captações externas. Empresas responderam por 36,3% e instituições financeiras por 10,2% do total emitido no exterior.

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