O Santander promoveu ajustes em sua carteira recomendada de fundos imobiliários (FIIs) para julho, ampliando a exposição aos fundos de crédito sem alterar a quantidade de ativos selecionados. A estratégia reflete a avaliação de que a manutenção da taxa Selic em patamar elevado favorece os fundos de papel, especialmente aqueles com carteiras concentradas em Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs).
Segundo o analista Flávio Pires, responsável pela estratégia do banco, a principal mudança foi o aumento da participação dos fundos BTG Pactual Hedge (BTHF11), Kinea Rendimentos (KNCR11) e Kinea Hedge (KNHF11), que tiveram seus pesos elevados em 4,5%, 2,5% e 1%, respectivamente.
Para abrir espaço às novas alocações, o Santander reduziu a participação dos fundos Tellus Properties (TEPP11) e Vinci Logística (VILG11) em 5% e 3%. Apesar do ajuste, o banco manteve a recomendação de compra para ambos, destacando que continuam entre suas principais escolhas nos segmentos de escritórios e logística.
De acordo com o relatório, os dois fundos permanecem bem posicionados por apresentarem imóveis considerados de qualidade, localizados em regiões estratégicas, taxas de ocupação superiores a 95% e equipes de gestão experientes. Na avaliação do Santander, essas características sustentam a capacidade de manter uma distribuição consistente de rendimentos aos cotistas.
As alterações fazem parte de uma revisão gradual da estratégia de alocação entre os diferentes segmentos do mercado de fundos imobiliários. No início de 2026, o Santander recomendava uma composição com 60% dos recursos direcionados para fundos de tijolo e 40% para fundos de papel. Para o segundo semestre, a orientação passou a ser de uma divisão equilibrada, com 50% em cada categoria.
Segundo o banco, a mudança decorre da expectativa de que a taxa Selic permaneça em níveis elevados por um período mais prolongado. Nesse ambiente, fundos de crédito com ativos de qualidade e estruturas robustas de garantias tendem a apresentar maior estabilidade tanto na distribuição de dividendos quanto no comportamento das cotas negociadas na Bolsa.
Em relação ao desempenho, a carteira recomendada pelo Santander registrou queda de 2,3% em junho, desempenho inferior ao IFIX, principal índice de fundos imobiliários da B3, que recuou 1,2% no período. No acumulado de 2026, porém, o portfólio segue à frente do indicador de referência, com valorização de 1,8%, ante alta de 1,5% do índice.
| Fundo Imobiliário | Código | Segmento | Peso |
|---|---|---|---|
| Mauá Capital Recebíveis Imobiliários | MCCI11 | Recebíveis Imobiliários | 11,5% |
| Pátria Recebíveis Imobiliários | HGCR11 | Recebíveis Imobiliários | 10,0% |
| BTG Pactual Hedge Fund | BTHF11 | Hedge Fund | 10,0% |
| Kinea Hedge Fund | KNHF11 | Hedge Fund | 10,0% |
| XP Malls | XPML11 | Shopping Centers | 9,5% |
| Kinea Rendimentos Imobiliários | KNCR11 | Recebíveis Imobiliários | 9,0% |
| Vinci Logística | VILG11 | Logístico/Industrial | 9,0% |
| Guardian Real Estate | GARE11 | Híbrido | 8,0% |
| Tellus Properties | TEPP11 | Escritórios | 7,0% |
| Bresco Logística | BRCO11 | Logístico/Industrial | 6,0% |
| Pátria Crédito Imobiliário Índice de Preços | PCIP11 | Recebíveis Imobiliários | 5,0% |
| TRX Real Estate | TRXF11 | Híbrido | 5,0% |









