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Auditoria do FGC vai definir apoio à venda do Digimais ao BTG

Auditoria da Kroll deve durar cerca de dois meses e será decisiva para eventual operação entre Digimais e BTG Pactual

O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) iniciou uma auditoria independente nas demonstrações financeiras do Digimais como parte da análise sobre um eventual suporte financeiro que poderá viabilizar a aquisição do banco pelo BTG Pactual. Para conduzir o trabalho, a entidade contratou a consultoria Kroll, especializada em reestruturação e investigações financeiras.

A auditoria ocorre em meio às investigações conduzidas pela Polícia Federal na Operação Miragem, que apura suspeitas de manipulação de balanços, ocultação da real situação financeira da instituição e possíveis operações irregulares envolvendo o Digimais, controlado pelo grupo ligado ao bispo Edir Macedo.

Segundo informações publicadas pelo Estadão, o processo de análise já está em andamento e deverá levar aproximadamente dois meses. O resultado servirá de base para que o FGC decida se concederá ou não um empréstimo destinado a apoiar a operação de compra do banco pelo BTG Pactual.

A aquisição é considerada uma alternativa para evitar uma eventual intervenção do Banco Central e uma possível liquidação da instituição, diante da deterioração de sua situação financeira. O BTG iniciou negociações formais com o Digimais em abril, quando anunciou a assinatura de documentos vinculantes para aquisição do controle da instituição.

Na ocasião, o banco informou que a conclusão da operação dependeria do cumprimento de diversas condições, entre elas a realização de um processo competitivo para abertura a eventuais interessados e a obtenção de suporte financeiro do Fundo Garantidor de Créditos.

O FGC funciona como um mecanismo de proteção aos depositantes e investidores do sistema financeiro, garantindo até R$ 250 mil por CPF e por instituição em caso de liquidação de bancos participantes. Além dessa função, a entidade pode conceder apoio financeiro a instituições em dificuldades quando entende que essa alternativa representa custo inferior ao de uma liquidação e contribui para preservar a estabilidade do sistema financeiro.

No caso do Digimais, estimativas indicam que uma eventual liquidação poderia gerar perdas próximas de R$ 8 bilhões para o fundo, valor que está sendo considerado na avaliação sobre a conveniência de uma operação de socorro financeiro.

A análise ocorre em um momento de maior rigor na governança do FGC após os impactos provocados pela liquidação das instituições do Grupo Master. Segundo dados apresentados pelo Banco Central, as intervenções iniciadas em novembro de 2025 consumiram mais de R$ 52 bilhões dos recursos do fundo, reduzindo sua liquidez de R$ 114,1 bilhões, ao fim de 2024, para R$ 66,8 bilhões em janeiro de 2026.

Posteriormente, com novas contribuições realizadas pelas instituições associadas, a liquidez do FGC voltou a crescer e atingiu R$ 111,2 bilhões em março deste ano.

Nesse contexto, a auditoria conduzida pela Kroll deverá fornecer uma avaliação detalhada da situação patrimonial e financeira do Digimais antes que o conselho do FGC delibere sobre a eventual concessão de recursos para apoiar a operação envolvendo o BTG Pactual.

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