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Relatório do FMI reduz projeção da economia mundial para 3,0% em 2026

Fundo Monetário Internacional revisa cenário global, prevê desaceleração em 2026 e aponta conflito no Oriente Médio como risco à economia

A guerra no Oriente Médio passou a alterar de forma mais significativa as perspectivas para a economia mundial. Em atualização do relatório Perspectivas Econômicas Mundiais, divulgada nesta quarta-feira (8), o Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu sua estimativa para o crescimento global em 2026 e alertou que a interrupção das cadeias de abastecimento de energia, provocada pelo conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, deve pressionar a inflação e limitar a atividade econômica nos próximos meses.

O FMI agora projeta expansão de 3,0% para a economia global em 2026, abaixo dos 3,5% registrados em 2025 e também inferior à previsão de 3,1% divulgada pela instituição em abril. A revisão incorpora os efeitos do agravamento das tensões geopolíticas, que afetaram o fornecimento de energia e ampliaram a volatilidade dos mercados internacionais.

Segundo o Fundo, a escalada do conflito começou após os ataques realizados por Estados Unidos e Israel contra o Irã, seguidos por retaliações iranianas direcionadas à infraestrutura energética da região. O episódio acrescentou uma nova fonte de instabilidade à economia global, que ainda enfrenta os efeitos acumulados da pandemia de Covid-19 e da guerra entre Rússia e Ucrânia.

A instituição também elevou sua projeção para a inflação mundial. A expectativa é de que o índice passe de 4,1% em 2025 para 4,7% em 2026, refletindo principalmente a alta dos preços das commodities energéticas e os impactos sobre as cadeias globais de abastecimento.

Apesar da revisão, o FMI avalia que a atividade econômica demonstrou resistência superior à esperada nos primeiros meses do ano. O relatório destaca que o crescimento registrado no primeiro trimestre foi favorecido pela expansão dos investimentos em inteligência artificial e pelo avanço das fontes renováveis de energia, fatores que ajudaram a reduzir parte dos efeitos provocados pela alta do petróleo.

Ainda assim, o Fundo ressalta que o cenário permanece cercado por elevada incerteza. Os recentes ataques a petroleiros no Estreito de Ormuz colocaram em dúvida a estabilidade do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã. Além disso, a revogação, pelo governo norte-americano, de uma isenção de sanções que permitia parte das exportações de petróleo iraniano tende a restringir ainda mais a oferta global da commodity.

Na avaliação do FMI, os países produtores de petróleo do Oriente Médio deverão concentrar os maiores impactos econômicos do conflito, com expectativa de retrações significativas da atividade diante dos danos à infraestrutura energética e das restrições às exportações.

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