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Ambipar tinha cerca de R$ 700 milhões em CDBs do Banco Master

Empresa em recuperação judicial detalha composição do caixa e exposição ao Banco Master antes da liquidação do banco

A Ambipar revelou que manteve uma exposição relevante ao Banco Master até pouco antes da liquidação extrajudicial da instituição financeira, ocorrida em novembro de 2025. Segundo pessoas próximas à companhia, a empresa de gestão ambiental possuía cerca de R$ 700 milhões aplicados em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do banco até aproximadamente dois meses antes da intervenção. As informações constam em documentos divulgados pela companhia nesta quinta-feira (9), nos quais a empresa detalha, pela primeira vez, a composição de seu caixa durante o período que antecedeu o pedido de recuperação judicial.

De acordo com o material, os investimentos que estavam alocados em um fundo composto por CDBs de instituições financeiras foram posteriormente substituídos por pré-precatórios federais. Esses ativos passaram a representar um valor de face de aproximadamente R$ 1,2 bilhão tanto em setembro quanto em dezembro de 2025. Segundo fontes próximas à empresa, a deterioração da situação do Banco Master agravou os problemas financeiros da Ambipar e a migração para os pré-precatórios foi considerada a alternativa disponível naquele momento.

Os pré-precatórios representam créditos judiciais já reconhecidos contra entes públicos, mas que ainda aguardam etapas processuais antes da emissão oficial dos precatórios. O valor informado pela companhia corresponde ao valor de face desses ativos, sem indicação do valor efetivamente realizável no mercado.

Além dessa posição, a Ambipar informou possuir R$ 247 milhões investidos em uma instituição financeira atualmente em processo de liquidação, sem identificar qual banco, e mais de R$ 500 milhões aplicados em ações da Empresa Metropolitana de Água e Energia (Emae). O investimento levou a companhia a deter aproximadamente 23% do capital social da Emae. A empresa informou que vendeu integralmente essa participação durante o segundo trimestre de 2026 e que atualmente não possui mais investimentos na companhia.

O documento também traz detalhes inéditos sobre a liquidez da Ambipar. Embora a empresa tenha informado ter encerrado 2025 com caixa total de R$ 2,5 bilhões, os recursos imediatamente disponíveis eram significativamente menores. Em setembro de 2025, a posição em caixa e equivalentes somava R$ 387,9 milhões, enquanto outros R$ 227,3 milhões estavam depositados em bancos de primeira linha, totalizando aproximadamente R$ 615 milhões. Em dezembro, esses valores recuaram para R$ 250,8 milhões em caixa e R$ 44,4 milhões em bancos de primeira linha, reduzindo a liquidez imediata para cerca de R$ 295 milhões.

Os números mostram ainda que, em fevereiro de 2026, a posição em caixa e equivalentes mantidos em instituições financeiras de primeira linha alcançava R$ 280,1 milhões. A projeção da companhia é elevar esse montante para R$ 468 milhões até o encerramento deste ano.

A Ambipar também informou manter R$ 237 milhões aplicados em uma instituição financeira que posteriormente entrou em processo de liquidação. Segundo a empresa, essa instituição ainda não estava sob liquidação em dezembro de 2025 e o valor investido permaneceu inalterado entre setembro e dezembro.

A divulgação dos dados ocorre meses após questionamentos sobre a real situação financeira da empresa. Quando a Ambipar buscou proteção judicial contra credores, bancos e investidores tentavam identificar onde estavam os recursos da companhia. Na ocasião, estimativas apontavam para apenas cerca de R$ 400 milhões disponíveis em caixa. Analistas também chamaram atenção para mudanças expressivas na composição dos ativos financeiros já no segundo trimestre de 2025, quando a empresa informava possuir R$ 4,7 bilhões em caixa, dos quais aproximadamente R$ 2 bilhões estavam concentrados em uma estrutura de Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), sem detalhamento público sobre sua composição. A documentação agora divulgada busca esclarecer parte dessa estrutura financeira, embora os números apresentados ainda não tenham sido auditados.

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