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Dívida pública dos EUA supera US$ 40 trilhões pela primeira vez

EUA ultrapassam US$ 40 trilhões em dívida pública, mais que o dobro de uma década atrás, em cenário de aumento das despesas e do déficit

A dívida pública dos Estados Unidos ultrapassou pela primeira vez a marca de US$ 40 trilhões, em um momento de aumento do déficit e das despesas do governo americano. Dados divulgados nesta quarta-feira (19) pelo Departamento do Tesouro mostram que o endividamento total chegou a US$ 40,05 trilhões, mais que o dobro do nível registrado há uma década.

O avanço da dívida ocorre enquanto as contas públicas dos EUA acumulam uma deterioração ao longo do atual ano fiscal. O déficit registrado nos primeiros dez meses já superou os US$ 1,775 trilhão contabilizados durante os 12 meses do ano fiscal de 2025.

Somente em julho, o governo americano arrecadou US$ 334 bilhões e registrou despesas de US$ 766,3 bilhões. A diferença entre receitas e gastos resultou em déficit de aproximadamente US$ 432,3 bilhões no mês.

O resultado representa uma piora em relação a julho de 2025, quando o déficit havia ficado em US$ 291,14 bilhões. Naquele período, as receitas somaram US$ 338,49 bilhões e as despesas chegaram a US$ 629,64 bilhões. A comparação mostra que o aumento dos gastos teve peso relevante na ampliação do desequilíbrio fiscal.

Além do tamanho da dívida, o custo para financiar o endividamento também está no radar do mercado. Com um estoque maior de títulos, a trajetória dos juros passa a ter impacto crescente sobre as despesas do governo e sobre a necessidade de novas emissões para financiar déficits e refinanciar obrigações que chegam ao vencimento.

O economista-chefe e estrategista global da Euro Pacific Asset Management, Peter Schiff, também chamou atenção para a decisão do Tesouro americano de ampliar a recompra de títulos de longo prazo. Segundo ele, a estratégia pode elevar os custos com juros, porque os títulos recomprados teriam desconto inferior ao custo dos recursos utilizados pelo governo para financiar essas operações.

Na avaliação de Schiff, esse mecanismo pode contribuir para que a dívida pública cresça em ritmo superior ao aumento do prazo médio dos vencimentos. O alerta reforça o debate sobre a sustentabilidade fiscal dos Estados Unidos em um cenário no qual o país precisa administrar simultaneamente déficits elevados, uma dívida recorde e os custos associados ao seu refinanciamento.

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