O Grupo Mateus (GMAT3) começa a deixar para trás a etapa mais intensa de sua reestruturação e pode voltar a direcionar esforços para recuperar participação de mercado, segundo avaliação do Citi após uma visita às operações e à sede da companhia em São Luís (MA). A melhora operacional levou o banco a retirar sua visão negativa para os próximos 90 dias sobre a ação, embora a recomendação permaneça neutra, com preço-alvo de R$ 4 e classificação de alto risco.
Os analistas João Pedro Soares e Felipe Husein se reuniram com o fundador e presidente do conselho de administração, Ilson Mateus, o CEO Jesuíno Martins, o CFO Tulio Queiroz e a equipe de Relações com Investidores. A percepção após os encontros é de que os principais ajustes realizados pela varejista estão, em grande parte, concluídos.
Uma das mudanças foi a redução de práticas comerciais que prejudicavam a rentabilidade, especialmente determinadas vendas de balcão no segmento B2B. O grupo também promoveu uma reestruturação organizacional e reduziu sua estrutura de custos. Para o Citi, tanto a margem bruta quanto as despesas com vendas, gerais e administrativas começam a se aproximar de níveis considerados mais normalizados.
A avaliação mais favorável ocorre depois de o Grupo Mateus apresentar resultados acima das expectativas no segundo trimestre. Com a melhora dos indicadores, o Citi encerrou o chamado catalyst watch negativo, sinalização utilizada para indicar uma expectativa desfavorável de curto prazo. Na avaliação dos analistas, o equilíbrio entre riscos e potencial de retorno da ação melhorou.
Isso não significa, porém, que o banco enxergue uma recuperação rápida das vendas. O principal ponto de cautela permanece no indicador de vendas mesmas lojas (SSS), diante de um ambiente de consumo ainda pressionado no Norte e Nordeste. Mesmo com uma possível redução da intensidade competitiva, a conjuntura econômica pode limitar uma retomada mais forte das receitas no curto prazo.
A estratégia da companhia, segundo o relatório, deve agora migrar gradualmente da correção de problemas internos para a proteção e recuperação de participação de mercado. A expansão, entretanto, deverá ser mais seletiva, com prioridade para produtividade, margens e rentabilidade das unidades existentes antes de uma nova aceleração das aberturas.
Essa postura também aparece na alocação de capital. Em um cenário de juros elevados, a administração sinalizou menor disposição para acelerar novos projetos. Os investimentos precisam apresentar taxa interna de retorno superior a 25%. Caso não existam oportunidades capazes de cumprir esse parâmetro, dividendos e eventuais recompras de ações aparecem como alternativas para utilização do capital.
Entre as novas avenidas de crescimento, o Citi destacou a entrada em farmácias por meio da Mix Toureiro, joint venture com um operador regional. O modelo combina operações B2C e B2B, com unidades maiores e variedade ampla de produtos. Para o banco, a parceria reduz o risco de execução e permite testar o segmento sem impedir que o Grupo Mateus desenvolva drogarias próprias posteriormente.
Digitalização e automação formam outro eixo de eficiência. Durante a visita, os analistas conheceram um dark store, que funciona como um pequeno centro de distribuição de aproximadamente 3 mil metros quadrados. A companhia também avalia projetos de automação de armazéns, que podem reduzir custos e melhorar a produtividade logística.
A retirada da visão negativa de curto prazo, portanto, está ligada principalmente à percepção de que o Grupo Mateus avançou na normalização de margens, despesas e estrutura operacional. A manutenção da recomendação neutra mostra, por outro lado, que o Citi ainda espera evidências mais consistentes de recuperação das vendas e do consumo regional antes de assumir uma posição mais positiva sobre GMAT3.










