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Bradesco BBI corta preço-alvo da B3, mas mantém compra de B3SA3

Banco reduz estimativas de negociação para 2026 e 2027, prevê lucro de R$ 6,4 bilhões neste ano e mantém visão positiva

A perda de força dos volumes negociados na B3 levou o Bradesco BBI a adotar premissas mais conservadoras para a operadora da bolsa brasileira. O banco reduziu nesta terça-feira (1º) o preço-alvo de B3SA3 de R$ 21 para R$ 20 ao fim de 2026, mas manteve a recomendação de compra para as ações.

O novo valor ainda representa potencial de valorização de 23,3% em relação aos R$ 16,22 do fechamento de segunda-feira (31). A revisão ocorre depois de B3SA3 acumular valorização próxima de 25% desde o início de 2026.

A principal mudança no cenário traçado pelos analistas Marcelo Mizhari e Renato Chanes está no volume de negociação esperado para os próximos trimestres. O desempenho apresentado pela companhia no segundo trimestre e, principalmente, a desaceleração observada em julho fizeram o BBI reduzir suas projeções para a atividade do mercado.

Embora julho costume apresentar efeitos sazonais que diminuem a negociação, os analistas avaliam que a intensidade da desaceleração indica um ambiente mais fraco do que aquele incorporado anteriormente às estimativas. O banco considera alguma recuperação em setembro, mas ainda assim decidiu rever as premissas para 2026 e 2027.

A mudança mais significativa ocorreu no ADTV, sigla utilizada para o volume financeiro médio negociado diariamente no mercado de ações. Para 2026, a estimativa caiu de R$ 36,1 bilhões para R$ 32,5 bilhões.

A revisão para 2027 foi ainda maior. O BBI trabalhava anteriormente com ADTV de R$ 43 bilhões, mas passou a projetar os mesmos R$ 32,5 bilhões previstos para 2026. Isso representa um corte de aproximadamente 24% sobre a estimativa anterior para o próximo ano.

No curto prazo, o banco espera um volume financeiro médio diário de R$ 28,3 bilhões no terceiro trimestre. A partir dos três últimos meses de 2026, a premissa utilizada nas projeções passa para aproximadamente R$ 32,5 bilhões.

O ajuste não ficou restrito às ações. O Bradesco BBI também reduziu suas expectativas para o volume médio diário de contratos negociados, indicador conhecido como ADV.

Para 2026, a projeção caiu de 11,8 milhões para 11 milhões de contratos por dia. Em 2027, a estimativa foi reduzida de 12,6 milhões para 11,8 milhões.

A importância desses indicadores para a tese da B3 está diretamente relacionada ao modelo de negócios da companhia. Parte relevante das receitas depende da atividade nos mercados administrados pela empresa, fazendo com que alterações nos volumes negociados tenham efeito sobre a geração de receita e, posteriormente, sobre os resultados.

Com menos operações incorporadas ao cenário-base, o BBI reduziu em 2% sua projeção de receita bruta da B3 para 2026. Para 2027, quando a diferença entre a estimativa antiga e a nova para os volumes é maior, o corte na receita chegou a 6%.

O efeito sobre o lucro, porém, não segue exatamente a mesma direção no curto prazo. Para 2026, o banco elevou em 2% a estimativa de lucro líquido da B3, que passou para R$ 6,4 bilhões.

A explicação está na tributação. Segundo os analistas, a antecipação de pagamentos extraordinários de juros sobre capital próprio reduz a alíquota efetiva considerada para o período e compensa, no lucro líquido, parte do impacto negativo provocado pelas receitas menores.

Esse benefício não é suficiente para sustentar a mesma dinâmica em 2027. Para o próximo ano, o BBI reduziu em 4% sua projeção de lucro líquido, para R$ 6,6 bilhões.

Apesar das revisões, o Bradesco BBI decidiu preservar a recomendação de compra. A avaliação é de que a relação entre risco e retorno continua favorável nos níveis atuais de preço, sobretudo porque parte significativa dos riscos relacionados aos volumes mais fracos já estaria incorporada à cotação.

A trajetória dos juros aparece como uma das principais variáveis capazes de mudar esse cenário. Uma redução da Selic mais rápida ou intensa do que o mercado espera poderia favorecer a migração de recursos para ativos de risco e aumentar a negociação de ações, derivativos e outros instrumentos na B3.

Esse movimento teria importância adicional porque a estrutura de custos da companhia permite transformar parte relevante do crescimento incremental das receitas em resultado. É o chamado efeito de alavancagem operacional: depois de coberta uma parcela dos custos fixos da infraestrutura, volumes adicionais podem contribuir proporcionalmente mais para o lucro.

Os cálculos do BBI mostram a sensibilidade dos resultados a uma eventual recuperação da atividade. Sem considerar qualquer ganho adicional de margem antes dos impostos, cada R$ 1 bilhão acrescentado ao ADTV poderia elevar em aproximadamente 0,6% o lucro líquido estimado para 2027.

Quando os analistas incorporam também os possíveis efeitos da alavancagem operacional, uma recuperação dos volumes poderia acrescentar entre 1% e 8% às atuais projeções de lucro, dependendo da intensidade do movimento.

A distribuição de recursos aos acionistas representa outro componente da tese. O Bradesco BBI estima dividend yield de aproximadamente 9% para B3SA3. O indicador mede a relação entre os proventos projetados e o preço da ação.

Assim, a recomendação positiva do banco não depende apenas do preço-alvo de R$ 20. O BBI combina o potencial de valorização das ações com a expectativa de remuneração ao acionista por meio de dividendos e juros sobre capital próprio.

O cenário traçado pelo banco apresenta, portanto, dois movimentos distintos. No curto prazo, os volumes mais fracos justificaram cortes relevantes nas premissas operacionais e reduziram o preço-alvo. Ao mesmo tempo, o BBI considera que a cotação já incorpora boa parte dessas dificuldades e mantém exposição a uma eventual recuperação da atividade do mercado de capitais.

Essa recuperação dependerá especialmente do comportamento dos juros e dos fluxos para a bolsa. Caso os volumes continuem abaixo do esperado, as projeções de receita e lucro poderão permanecer pressionadas. Se a negociação ganhar força com um ambiente monetário mais favorável, a elevada sensibilidade dos resultados da B3 ao ADTV pode produzir revisões positivas.

É essa assimetria que sustenta a recomendação de compra mesmo depois do corte do preço-alvo. A visão e as projeções são do Bradesco BBI e não representam indicação de investimento do Boletim Nacional.

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