As ações do Banco do Brasil (BBAS3) dispararam nesta segunda-feira (5), acompanhando a forte reprecificação dos ativos brasileiros após o primeiro turno das eleições. Os papéis avançavam cerca de 11%, negociados a R$ 26,33, em um movimento que também alcançou outras empresas do setor financeiro.
A reação ocorreu depois de Flávio Bolsonaro (PL) terminar o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O desempenho dos ativos reflete uma mudança na percepção de parte dos investidores sobre o cenário econômico e fiscal após as eleições, embora o resultado do segundo turno, marcado para 25 de outubro, permaneça em aberto.
Para as ações financeiras, um dos principais canais dessa reprecificação está na curva de juros. A expectativa de menor risco fiscal pode reduzir as taxas de longo prazo, movimento que historicamente apresenta relação inversa com o desempenho das empresas do setor, segundo levantamento do Morgan Stanley.
O banco analisou os últimos dez anos e identificou relação negativa entre os juros longos brasileiros e todas as ações financeiras incluídas na amostra. Isso significa que, historicamente, esses papéis tenderam a se valorizar em períodos de queda das taxas, embora essa relação não garanta que o comportamento se repita.
No caso do Banco do Brasil, a sensibilidade calculada pelo Morgan Stanley é de aproximadamente 13%. Em termos históricos, cada redução de 100 pontos-base, equivalente a 1 ponto percentual, nos juros de longo prazo esteve associada a uma valorização de cerca de 13% de BBAS3.
O percentual supera o observado entre outros grandes bancos tradicionais. Bradesco e Santander Brasil apresentaram sensibilidade próxima de 11% no levantamento, enquanto o Itaú ficou em aproximadamente 10%.
Empresas de pagamentos e de mercado de capitais apresentaram relações ainda mais intensas. PagBank e Stone registraram sensibilidade histórica próxima de 17% para cada queda de 1 ponto percentual nas taxas longas. BTG Pactual, XP e Nubank ficaram perto de 15%.
A B3 apresentou sensibilidade ao redor de 13%, semelhante à calculada para o Banco do Brasil. A lógica é que juros menores podem reduzir o custo de capital, estimular crédito e atividade econômica e aumentar a atratividade relativa dos ativos de risco, embora os efeitos variem conforme o modelo de negócio de cada companhia.
A alta de BBAS3 nesta segunda-feira, portanto, ocorre dentro de um movimento mais amplo de redução dos prêmios de risco e valorização dos ativos domésticos. A continuidade dessa reprecificação dependerá não apenas do segundo turno, mas também das sinalizações sobre política fiscal, trajetória dos juros e condições da economia brasileira.
Os percentuais calculados pelo Morgan Stanley representam relações históricas entre os papéis e as taxas de juros, e não projeções de valorização. Uma eventual queda de 1 ponto percentual nos juros longos não significa, necessariamente, que BBAS3 avançará 13% no futuro.










