A fabricante de pás eólicas Aeris Energy (AERI3) apresentou à Justiça de São Paulo um plano de recuperação extrajudicial para reestruturar R$ 1,52 bilhão em dívidas. A medida ocorre após sucessivos prejuízos, retração da demanda por equipamentos de geração eólica e aumento da pressão financeira sobre a companhia, que busca reorganizar suas obrigações sem interromper as atividades industriais.
O pedido foi protocolado em 3 de novembro na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca de São Paulo. Segundo fato relevante divulgado ao mercado, o plano foi negociado com os principais credores e recebeu adesão de titulares de 42,18% dos créditos considerados para o cálculo do quórum, percentual superior ao mínimo de um terço exigido para essa etapa do procedimento.
A empresa terá 90 dias, contados do ajuizamento, para obter a concordância de credores que representem mais da metade do valor dos créditos abrangidos. Esse apoio é necessário para a homologação judicial do plano, que ainda terá suas condições financeiras detalhadas em uma versão atualizada.
O montante de R$ 1.524.489.124,76 corresponde a créditos quirografários não correntes, apurados em 31 de outubro de 2026. A reestruturação contempla obrigações sem cobertura de garantias reais ou fiduciárias, mas exclui dívidas tributárias, trabalhistas, decorrentes de acidentes de trabalho e compromissos vinculados ao fornecimento habitual de bens e serviços necessários à operação.
Entre as alternativas previstas estão a renegociação dos prazos e condições de pagamento, a obtenção de novos recursos e a revisão de garantias. A Aeris informou que pretende reduzir seu nível de endividamento e preservar as relações comerciais, os empregos e a arrecadação de tributos associados à produção de pás para aerogeradores.
A situação financeira da companhia se deteriorou nos últimos anos com a desaceleração dos investimentos em novos parques eólicos. Em 2025, a receita operacional líquida recuou 50,8%, passando de R$ 1,52 bilhão para R$ 746 milhões, enquanto o prejuízo líquido alcançou R$ 901,2 milhões. No exercício anterior, a fabricante já havia registrado perdas de aproximadamente R$ 934 milhões.
A redução da demanda também afetou a capacidade produtiva da unidade localizada no Complexo Industrial e Portuário do Pecém, no Ceará. Ao final de 2025, seis das oito linhas de produção estavam desativadas. No segundo trimestre de 2026, a companhia iniciou a reativação de quatro linhas, em uma tentativa de recompor suas operações.
Os resultados mais recentes mostram que a pressão financeira persistiu. No primeiro semestre de 2026, a Aeris acumulou prejuízo líquido de R$ 290 milhões. Ao final de junho, a dívida bruta estava próxima de R$ 1,96 bilhão, enquanto a dívida líquida somava R$ 1,94 bilhão, diante de uma posição de caixa livre de R$ 17,3 milhões.
A companhia já havia renegociado aproximadamente 90% de seu endividamento financeiro em maio de 2025, com alongamento de prazos. A iniciativa, porém, não foi suficiente para restabelecer o equilíbrio financeiro. Em agosto deste ano, a Aeris iniciou um processo de mediação com credores e buscou proteção temporária contra medidas de cobrança, preparando o caminho para a atual reestruturação.
A recuperação extrajudicial permite que uma empresa negocie diretamente com seus credores um plano de reorganização de dívidas, posteriormente submetido à homologação da Justiça. Diferentemente da recuperação judicial tradicional, o procedimento tem alcance delimitado aos créditos incluídos no plano, conforme as regras previstas na legislação.
A Aeris informou que as linhas de fornecimento essenciais serão preservadas e que suas operações continuarão normalmente durante o processo. O pedido já foi aprovado pelo conselho de administração, mas ainda depende de ratificação dos acionistas em assembleia geral extraordinária, cuja data será anunciada posteriormente.









