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BRB emite até 1,68 bilhão de ações a R$ 5,29 para reforçar capital após compra de créditos do Master

Banco precisa de provisão de R$ 8 bilhões após comprar R$ 12,2 bilhões em créditos do Banco Master

O Banco de Brasília divulgou na noite desta segunda-feira (9) uma proposta de aumento de capital que será submetida à deliberação dos acionistas em Assembleia Geral Extraordinária marcada para 18 de março. A operação prevê a emissão de até 1,68 bilhão de ações ordinárias ao preço de R$ 5,29 cada, o que pode movimentar até R$ 8,86 bilhões. O banco estabeleceu uma subscrição mínima de 100 milhões de ações, o equivalente a R$ 529 milhões, como piso para a operação. O preço de emissão representa um prêmio de 12,8% sobre o fechamento de R$ 4,69 registrado no último pregão.

A iniciativa está diretamente associada ao rombo causado pela aquisição de R$ 12,2 bilhões em créditos do Banco Master, instituição controlada pelo banqueiro Daniel Vorcaro e liquidada pelo Banco Central em novembro de 2025. Segundo o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, o banco precisa constituir provisões de aproximadamente R$ 8 bilhões em seu balanço para cobrir as perdas decorrentes dessas operações e manter o funcionamento regular da instituição. O prazo para apresentar uma solução definitiva é 31 de março, data em que o BRB divulgará seu balanço anual de 2025 e deverá detalhar publicamente o impacto das operações com o Master sobre sua situação patrimonial.

O BRB listou quatro objetivos formais para o aumento de capital: reforçar a estrutura patrimonial da companhia, fortalecer os indicadores prudenciais, assegurar níveis adequados de capitalização e de índice de Basileia e ampliar a capacidade de crescimento das operações. O índice de Basileia é o principal termômetro regulatório da solidez de um banco, medindo a proporção entre o capital disponível e os ativos ponderados pelo risco. Instituições que ficam abaixo dos limites mínimos exigidos pelo Banco Central ficam sujeitas a restrições operacionais, o que torna o reforço de capital uma necessidade regulatória, não apenas estratégica. O banco acrescentou que a operação reduzirá o grau de alavancagem do conglomerado prudencial e ampliará a capacidade de absorver perdas esperadas e inesperadas.

Os acionistas atuais do BRB terão direito de preferência na subscrição das novas ações, com prazo para exercício entre 24 de março e 22 de abril de 2026. O direito de preferência garante aos acionistas existentes a possibilidade de manter sua participação percentual no capital da companhia sem diluição, caso decidam subscrever as ações proporcionalmente à sua fatia atual.

No plano político, a Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovou em 3 de março, por 14 votos a 10, um projeto encaminhado pelo governador Ibaneis Rocha que autoriza o governo distrital a capitalizar o BRB. O mecanismo aprovado prevê a utilização de nove imóveis públicos, que poderão ser vendidos, transferidos diretamente ao banco, estruturados em um fundo imobiliário ou oferecidos como garantia em um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos ou a outros bancos. A autorização legislativa viabiliza o aporte do controlador público no banco em um momento de pressão sobre seu capital regulatório.

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