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Grupo Pão de Açúcar pede recuperação extrajudicial com dívida de R$ 4,5 bilhões

GPA tem R$ 500 milhões vencendo em maio e entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,3 bilhão em julho e busca recuperação extrajudicial para reorganizar perfil de endividamento

O Grupo Pão de Açúcar protocolou nesta terça-feira (10) pedido de recuperação extrajudicial para renegociar aproximadamente R$ 4,5 bilhões em dívidas classificadas como não operacionais. O processo, divulgado por meio de fato relevante ao mercado, conta com adesão inicial de 46% dos credores afetados e abre um prazo de 90 dias durante o qual as obrigações com esses credores ficam suspensas para que as negociações avancem. Para que o acordo seja homologado judicialmente, é necessário atingir o apoio de pelo menos 50% mais um dos credores.

A recuperação extrajudicial é um instrumento previsto na legislação brasileira que permite a empresas renegociar dívidas com credores específicos fora do ambiente de uma recuperação judicial convencional, com menos restrições operacionais e maior flexibilidade para as partes envolvidas. Diferentemente da recuperação judicial, que abrange todas as obrigações da companhia e exige supervisão mais intensa do Judiciário, a modalidade extrajudicial é aplicada a um perímetro delimitado de dívidas e pode ser concluída com mais agilidade. No caso do GPA, o plano cobre exclusivamente obrigações financeiras sem garantia que não constituem compromissos correntes ou operacionais da companhia.

O presidente da companhia, Alexandre Santoro, que está há apenas dois meses no cargo, afirmou em entrevista ao Estadão que a decisão está alinhada ao mandato que recebeu dos acionistas para resolver problemas estruturais da empresa. Segundo ele, a operação das lojas segue funcionando normalmente, sem qualquer impacto sobre pagamentos a fornecedores, aluguéis ou salários de colaboradores. A decisão foi aprovada por unanimidade pelo conselho de administração, que reúne acionistas detentores de aproximadamente 70% das ações da companhia.

O diretor financeiro Pedro Albuquerque, que assumiu o cargo na semana passada, detalhou o perfil de vencimentos que motivou a urgência da medida. Segundo ele, cerca de R$ 500 milhões vencem em maio e entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,3 bilhão têm vencimento previsto para julho, concentração que tornava inevitável uma solução negociada antes desses prazos. Albuquerque ressaltou que o processo não inclui passivos trabalhistas ou tributários, que seguem sendo tratados separadamente pela companhia, e afirmou que a iniciativa não tem relação com discussões anteriores envolvendo a operação do Assaí, rede de atacarejo que foi separada do GPA em processo concluído nos anos anteriores.

O cenário financeiro da companhia vinha se deteriorando. No último balanço divulgado, o GPA reportou dívida líquida de R$ 2 bilhões ao final de 2025, crescimento de R$ 729 milhões em relação ao registrado no fim de 2024. A aceleração do endividamento líquido em um único exercício, combinada à concentração de vencimentos no primeiro semestre de 2026, tornou o pedido de recuperação extrajudicial uma medida de gestão de passivo necessária para evitar um eventual inadimplemento em condições desfavoráveis de mercado.

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