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Cobre e níquel puxam avaliação positiva da Vale, apontam analistas

Analistas veem resultado financeiro forte à frente, mas BB Investimentos alerta para potencial limitado de valorização

A Vale registrou resultados operacionais majoritariamente em linha com as expectativas do mercado no primeiro trimestre de 2026, mas foi a divisão de metais básicos que voltou a concentrar as avaliações mais positivas dos analistas. A produção de cobre e de níquel cresceu em dois dígitos na comparação anual, superando estimativas de múltiplas casas e consolidando uma trajetória de entregas consistentes que o J.P. Morgan já havia identificado nos trimestres anteriores.

No principal negócio da companhia, a produção total de minério de ferro avançou 3% na base anual, atingindo 69,7 milhões de toneladas. A equipe de análise da XP destacou que o excedente de minério cresceu a despeito da sazonalidade negativa típica do primeiro trimestre, impulsionado pelo desempenho do Sistema Sudeste e pela ampliação da produção na mina de Capanema, em Ouro Preto (MG).

O Bradesco BBI compartilhou avaliação similar, apontando que os ativos do Sudeste ajudaram a compensar um desempenho mais fraco do Sistema Norte. Já as vendas de minério, que totalizaram 68,7 milhões de toneladas nos três primeiros meses do ano, superaram a projeção do Citi com incremento de 4% na comparação anual. Analistas do banco ressaltaram ainda que o mix do trimestre foi fortalecido por um ritmo melhor do que o esperado na produção e comercialização de pelotas, com o preço realizado do minério de ferro ficando em linha com o previsto.
Na divisão de metais básicos, os números foram além das estimativas.

Segundo o Bank of America, a produção de cobre totalizou 102,3 mil toneladas no trimestre, superando em 8% o consenso das projeções compiladas pela Bloomberg. O níquel, por sua vez, atingiu 49,3 mil toneladas — 11% acima do esperado pelo mercado. “As vendas de cobre vieram em linha com nossa projeção e 3,1% acima do consenso da Bloomberg, enquanto os embarques de níquel ficaram 2,6% acima da estimativa do BofA”, registrou a equipe do banco.

Para o J.P. Morgan, a divisão consolidou uma trajetória de entregas consistentes e o trimestre marca um início de ano equilibrado, no qual a disciplina na produção e a recuperação da capacidade em sistemas fundamentais devem permitir à mineradora navegar com previsibilidade em meio à volatilidade do setor.

O otimismo se refletiu também nas recomendações. O Jefferies elevou nesta sexta-feira o preço-alvo dos ADRs da Vale negociados na Bolsa de Nova York de US$ 20 para US$ 21, mantendo a recomendação de compra. A equipe liderada por Christopher LaFemina apontou as produções de pelotas, cobre e níquel como os principais destaques positivos do trimestre.

O BB Investimentos, por sua vez, avaliou que o bom desempenho operacional deve se traduzir em resultado financeiro forte, em meio a preços médios mais altos em todas as categorias na comparação trimestral — mas ponderou que, apesar do resultado sólido, enxerga potencial limitado de valorização para as ações da companhia no atual patamar.

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