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Quebra do Master consome caixa do FGC e reduz nível de liquidez

FGC provisiona R$ 51,8 bilhões e expõe impacto da crise do Master

O Fundo Garantidor de Créditos detalhou, em seu relatório anual de 2025, a dimensão financeira da crise envolvendo o Banco Master e suas empresas relacionadas, revelando um impacto total de R$ 57,4 bilhões. Desse montante, R$ 51,8 bilhões foram provisionados para honrar garantias a depositantes e investidores, enquanto outros R$ 5,7 bilhões correspondem a empréstimos concedidos ao conglomerado, incluindo operações com Master, Will Bank e Banco Pleno.

O documento mostra que o fundo atuou de forma preventiva ao longo de 2025, diante do risco de iliquidez do grupo, estruturando operações para evitar um custo ainda maior em caso de liquidação imediata. Parte relevante das garantias — R$ 40,6 bilhões — foi destinada ao Banco Master, Master de Investimentos e Letsbank, enquanto outros R$ 11,1 bilhões foram provisionados já em 2026 para cobrir eventos relacionados a instituições ligadas ao mesmo ecossistema. Paralelamente, o FGC manteve exposição via empréstimos que, ao fim de 2025, ainda somavam bilhões de reais distribuídos entre as entidades envolvidas.

A estratégia adotada buscou preservar o máximo possível de recursos do fundo, com liberação gradual de capital por meio de emissões de letras financeiras destinadas exclusivamente ao pagamento de passivos cobertos pela garantia. Essa abordagem teve como objetivo evitar uma liquidação abrupta que poderia consumir uma parcela ainda maior do caixa disponível. Ainda assim, o episódio pressionou de forma relevante os indicadores de liquidez da entidade.

Antes da crise, o nível de liquidez do FGC correspondia a 2,23% dos depósitos elegíveis, já abaixo da referência regulatória de 2,5%. Com os desembolsos para honrar garantias, esse percentual caiu para 1,28%, evidenciando o impacto direto do evento. Para recompor sua capacidade financeira, os bancos associados anteciparam o equivalente a 60 meses de contribuições, totalizando R$ 32,2 bilhões. Com essa medida, a liquidez foi parcialmente restabelecida para 1,86%, enquanto o patrimônio líquido estimado do fundo atingiu R$ 112 bilhões.

O episódio expõe um ponto que muita gente prefere ignorar: o FGC não é um “seguro ilimitado”, é um sistema que depende diretamente da saúde dos próprios bancos que o financiam. Quando uma quebra consome metade do caixa potencial, o risco deixa de ser teórico e passa a ser sistêmico.

Outro ponto crítico é o efeito de segunda ordem. A necessidade de antecipar contribuições significa, na prática, retirar liquidez do próprio sistema bancário para sustentar o fundo. Isso não aparece imediatamente nas manchetes, mas afeta custo de crédito, apetite a risco e capacidade de expansão dos bancos nos meses seguintes.

O que esse episódio realmente mostra não é apenas a capacidade do FGC de atuar — mas o limite desse modelo diante de instituições que crescem apoiadas em captações protegidas pela própria garantia. Ignorar isso é não entender onde o problema começou.

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