A ata do Comitê de Política Monetária (Copom) mostra que o Banco Central do Brasil passou a adotar maior cautela diante do aumento das incertezas externas, especialmente ligadas aos conflitos no Oriente Médio e à política econômica dos Estados Unidos. Nesse ambiente, a taxa Selic foi reduzida em 0,25 ponto percentual, para 14,5% ao ano, mas com sinalização de um ritmo mais moderado nos próximos movimentos.
O cenário externo, marcado pelo conflito entre Estados Unidos e Irã, amplia o risco de pressões inflacionárias por meio de possíveis impactos sobre o petróleo e cadeias produtivas globais. Para economias emergentes, como o Brasil, esse contexto tende a elevar a volatilidade e exigir maior prudência na condução da política monetária, com reflexos diretos sobre juros, câmbio e preços.
As expectativas de inflação seguem acima do centro da meta. De acordo com o Boletim Focus, o IPCA deve encerrar o ano em 4,89%, enquanto projeções para horizontes mais longos também indicam níveis próximos ou acima do limite estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional. O próprio Banco Central projeta inflação de 4,6% em 2026, reforçando o risco de desancoragem das expectativas.
“O Copom julgou apropriado dar sequência ao ciclo de calibração da política monetária, na medida em que o período prolongado de manutenção da taxa básica de juros em patamar contracionista propiciou evidências da transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade econômica, criando condições para que ajustes no ritmo e extensão dessa calibração, à luz de novas informações, sejam possíveis de forma a assegurar o nível compatível com a convergência da inflação à meta”, diz a ata.









