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Itaú Unibanco lucra R$ 12,3 bilhões no 1T26 e mantém liderança em rentabilidade

Banco mantém avanço operacional com crescimento da carteira e controle da inadimplência

O Itaú Unibanco registrou lucro recorrente gerencial de R$ 12,3 bilhões no primeiro trimestre de 2026, avanço de 10,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, conforme divulgado ao mercado. O resultado veio levemente abaixo das estimativas de analistas compiladas pela LSEG, que projetavam R$ 12,5 bilhões, mas manteve o banco em trajetória de crescimento consistente.

A rentabilidade seguiu como um dos principais destaques do período. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) alcançou 24,8%, alta de 2,3 pontos percentuais na comparação anual e acima das expectativas do mercado, que apontavam 24,29%. O desempenho mantém o banco à frente de concorrentes como Banco Santander Brasil, que encerrou o período com ROE de 16%, reforçando a diferença de rentabilidade dentro do setor.

Segundo o banco, o crescimento do lucro foi impulsionado principalmente pela expansão da margem financeira com clientes, em um ambiente de evolução da carteira e melhora no mix de produtos. A margem com clientes somou R$ 31,5 bilhões, alta de 4,5% em base anual, enquanto a margem financeira gerencial total atingiu R$ 32,3 bilhões, crescimento de 4%. A margem com o mercado também apresentou avanço relevante no trimestre, com alta de 37,4%, chegando a R$ 800 milhões, refletindo melhor desempenho das operações de trading, embora ainda registre queda de 11,2% na comparação anual devido ao aumento do custo de hedge do capital.

As receitas de serviços e seguros também cresceram, totalizando R$ 14 bilhões, avanço de 5,3% em relação ao ano anterior, impulsionadas por maior volume em administração de recursos, banco de investimento e corretagem. Do lado operacional, o banco apresentou ganho de eficiência, com índice de eficiência de 34,4%, o menor nível da série histórica, indicando maior controle de custos e melhor aproveitamento das receitas.

No crédito, a carteira total cresceu 9% em 12 meses, alcançando R$ 1,4 trilhão. O avanço foi puxado principalmente pelo segmento de empresas, com destaque para linhas ligadas a programas governamentais, enquanto no varejo o crescimento foi liderado pelo crédito imobiliário, que avançou 11,2%, cartões de crédito, com alta de 8,2%, e crédito consignado privado, que registrou expansão de 63%.

A qualidade dos ativos permaneceu sob controle, apesar de leve pressão no curto prazo. O índice de inadimplência acima de 90 dias ficou em 1,9%, alta de 0,1 ponto percentual no trimestre, movimento atribuído pelo banco à sazonalidade, especialmente no segmento de pessoas físicas. Em relação ao ano anterior, o indicador permaneceu estável. Já a inadimplência entre 15 e 90 dias subiu para 1,7%, também com variação de 0,1 ponto percentual, refletindo principalmente o comportamento de micro, pequenas e médias empresas após o fim de programas de carência.

Mesmo com o controle da inadimplência, as despesas com provisões para créditos de liquidação duvidosa somaram R$ 10,2 bilhões, crescimento de 7,9% em base anual, indicando postura mais conservadora diante do cenário macroeconômico. As despesas não relacionadas a juros atingiram R$ 16,2 bilhões, alta de 4,8%, influenciadas principalmente por investimentos em tecnologia e aumento do volume de processamento em nuvem.

Em termos de perspectiva, o banco manteve seu guidance para 2026. A expectativa é de crescimento da carteira de crédito de até 9,5%, após expansão de 9% já observada no primeiro trimestre. A margem financeira com clientes deve crescer entre 5% e 9% ao longo do ano, enquanto a margem com o mercado é projetada entre R$ 2,5 bilhões e R$ 5,5 bilhões. O custo de crédito deve ficar entre R$ 38,5 bilhões e R$ 43,5 bilhões, ao passo que as receitas de serviços e seguros devem avançar entre 5% e 9%. As despesas operacionais, por sua vez, têm previsão de crescimento mais moderado, entre 1,5% e 5,5%.

Segundo o CEO Milton Maluhy Filho, o banco mantém estratégia de crescimento com disciplina e foco na qualidade do crédito, destacando que o ambiente de 2026 exige cautela na concessão. A instituição afirma que os ajustes realizados nos últimos ciclos permitiram manter estabilidade nos indicadores mesmo diante de um cenário macroeconômico mais desafiador.

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