As ações do Banco Inter registraram nesta quinta-feira a maior queda em mais de três anos após o balanço do primeiro trimestre elevar preocupações sobre a qualidade da carteira de crédito do banco digital.
A reação negativa ocorreu mesmo após o banco divulgar lucro líquido recorde de R$ 395 milhões no trimestre, alta de 37,8% na comparação anual. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) também avançou, atingindo 15,5%, incremento de 0,4 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano passado.
O principal foco de preocupação do mercado ficou concentrado nos indicadores de inadimplência e no aumento do custo do risco em meio ao cenário macroeconômico mais desafiador.
A inadimplência acima de 90 dias alcançou 5,1%, avanço de 0,5 ponto percentual em 12 meses. Já a inadimplência de curto prazo subiu para 4,6%, alta de 0,3 ponto percentual.
O custo do risco avançou para 5,6%, movimento que, na avaliação da XP, indica que parte do crescimento da carteira vem ocorrendo com deterioração gradual da qualidade dos ativos.
“Essa deterioração se torna um ponto de atenção na medida em que superou a alta de NPLs tipicamente observada no padrão sazonal do início do ano, mesmo com um mix mais colateralizado”, afirmaram os analistas.
Segundo a XP, a piora reflete um ambiente econômico mais pressionado, além do crescimento do saldo de cartões de crédito remunerados, da expansão do consignado privado e dos efeitos sazonais do primeiro trimestre.
O Banco Safra também avaliou que os resultados ficaram abaixo das projeções do mercado e do consenso de analistas, especialmente por conta da desaceleração da receita líquida de juros.
Na visão do banco, embora o crédito imobiliário continue sustentando parte do crescimento da carteira, a aceleração da inadimplência de curto prazo levantou dúvidas adicionais sobre o apetite ao risco do Inter.
“Chamamos atenção para algumas tendências na qualidade dos ativos, especialmente o aumento de 60 pontos-base na inadimplência de curto prazo em relação ao trimestre anterior, como um possível sinal de deterioração, e não apenas um efeito da composição da carteira”, destacou o Safra.
Os analistas também avaliam que o mercado começa a monitorar com mais cautela a estratégia “60-30-30” do banco para 2027, que prevê atingir 60 milhões de clientes, índice de eficiência de 30% e ROE de 30%.
O BB Investimentos afirmou que o balanço mostrou perda gradual de ritmo operacional, mesmo considerando o primeiro trimestre como sazonalmente mais fraco para o setor bancário.
Segundo o relatório, embora lucro e rentabilidade tenham avançado, o custo do crédito apareceu como principal fator de pressão no trimestre, enquanto os indicadores de inadimplência mostraram deterioração mais intensa do que a observada em outros bancos que já divulgaram resultados.
“Diante do contexto menos exuberante que paira sobre o Inter, mantemos nossa recomendação neutra”, afirmaram os analistas.










