A Direcional (DIRR3) avalia que o aumento dos custos de construção nos próximos trimestres pode abrir espaço para ganho de mercado e aceleração de lançamentos, especialmente em um cenário em que parte das concorrentes enfrenta maior dificuldade para preservar margens e manter o ritmo operacional.
A leitura foi apresentada pelo presidente-executivo da companhia, Ricardo Gontijo, durante conferência com analistas após a divulgação dos resultados do primeiro trimestre de 2026. Segundo ele, a construtora monitora de perto os impactos da alta de matérias-primas e os reflexos econômicos da guerra no Oriente Médio, mas considera que a empresa possui estrutura financeira e operacional para atravessar um eventual ciclo de pressão inflacionária no setor.
De acordo com o executivo, a prioridade da Direcional segue sendo geração de caixa e execução eficiente dos projetos já vendidos. Ainda assim, a companhia afirma possuir um pipeline relevante de empreendimentos em aprovação, o que permitiria acelerar os lançamentos caso a velocidade de vendas continue avançando.
“A prioridade nossa é geração de caixa. Queremos construir o que está vendido, mas, se percebermos a VSO subindo forte, a gente tem bastante projeto em aprovação que nos permitiria fazer o lançamento”, afirmou Gontijo.
A companhia trabalha com um gatilho operacional claro para acelerar expansão. Segundo o CEO, um indicador de velocidade de vendas (VSO) próximo de 25% poderia incentivar aumento dos lançamentos já nos próximos anos. No primeiro trimestre, a Direcional encerrou o período com VSO de 24%.
O executivo afirmou ainda que abril apresentou desempenho considerado positivo em vendas, impulsionado principalmente pelas mudanças promovidas no programa Minha Casa, Minha Vida.
As alterações anunciadas pelo governo elevaram o limite de renda das famílias elegíveis ao programa e ampliaram os valores máximos de financiamento, movimento que, na visão da companhia, fortaleceu a demanda por imóveis populares.
Segundo Gontijo, a empresa segue confortável em relação à capacidade de preservar margens operacionais mesmo diante do risco de aumento dos custos de construção.
A Direcional informou que iniciou no fim de abril um processo gradual de reprecificação dos imóveis, em antecipação a um possível avanço nos preços de insumos nos próximos meses.
A medida funciona como uma tentativa de proteger rentabilidade diante da possibilidade de novos aumentos em materiais ligados à cadeia da construção civil, que podem sofrer impactos indiretos da elevação do petróleo e das tensões geopolíticas globais.
Questionado sobre risco de desaceleração da demanda em um cenário de preços maiores, o CEO afirmou que a companhia ainda não identifica deterioração relevante no mercado.
“Não tem luz amarela sobre demanda e custo. Há conforto importante”, declarou.
Além da expansão orgânica, a companhia também enxerga novas oportunidades ligadas ao desenvolvimento urbano de Belo Horizonte, cidade que representa cerca de 20% dos negócios do grupo.
A Direcional acompanha as discussões sobre o novo plano diretor da capital mineira, que prevê incentivos para verticalização e maior adensamento da região central.
Segundo Gontijo, a proposta pode impulsionar a revitalização da cidade e abrir espaço para novos projetos imobiliários nos próximos anos.
“Vai ser muito benéfico para a cidade como um todo, vai ter uma revitalização importante. Pode ser um vetor de crescimento importante para a empresa”, afirmou.
Na área de crédito, o diretor financeiro da companhia, Paulo Martins de Sousa, disse que mudanças implementadas na política de concessão no ano passado começam a produzir efeitos positivos sobre a carteira da empresa.
Segundo ele, a expectativa é de melhora gradual dos indicadores de inadimplência nos próximos trimestres, com possibilidade inclusive de redução de provisões para perdas.
Os resultados financeiros do trimestre reforçaram o cenário operacional positivo apresentado pela administração.
A Direcional registrou lucro líquido de R$ 213 milhões entre janeiro e março, crescimento de 30% em relação ao mesmo período de 2025. O resultado ficou praticamente em linha com as estimativas de mercado compiladas pela LSEG.
A receita líquida também avançou 30%, alcançando R$ 1,2 bilhão no trimestre.
Já o Ebitda, indicador usado para medir o desempenho operacional das empresas, somou R$ 315 milhões nos três primeiros meses de 2026, alta de 47% na comparação anual.










