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Tok&Stok e Mobly pedem recuperação judicial após dívida superar R$ 1,1 bilhão

Companhia atribui crise a juros elevados, restrição de crédito e queda do consumo das famílias

O Grupo Toky, controlador das marcas Tok&Stok e Mobly, protocolou pedido de recuperação judicial envolvendo a holding e suas subsidiárias, em uma tentativa de reorganizar dívidas que já somam R$ 1,1 bilhão. A medida foi divulgada em fato relevante publicado nesta terça-feira, 12, e representa mais um capítulo da pressão enfrentada pelo varejo brasileiro em meio ao ambiente de juros elevados e consumo enfraquecido.

Segundo a companhia, o objetivo da recuperação judicial é preservar as operações do grupo, proteger a liquidez e viabilizar uma reestruturação organizada do passivo financeiro.

O pedido foi aprovado pelo conselho de administração em reunião realizada na segunda-feira, 11, e passou a tramitar na Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo, sob segredo de Justiça.

No documento apresentado ao mercado, o grupo atribui a deterioração financeira ao cenário macroeconômico dos últimos anos, marcado por juros elevados, maior endividamento das famílias, crédito mais restritivo e oscilações cambiais.

A companhia afirma que esse ambiente pressionou diretamente o setor de varejo de móveis e decoração, segmento altamente dependente de consumo financiado e sensível ao custo do crédito.

Segundo o grupo, mesmo após negociações conduzidas com credores e tentativas de reorganização financeira, o nível de endividamento continuou avançando.

“Apesar dos esforços empregados pela administração na negociação da reestruturação do endividamento junto aos credores da controlada Tok&Stok, o alto endividamento do grupo persiste e vem se agravando”, afirmou a empresa no comunicado.

A companhia também destacou que a situação financeira exige medidas urgentes para evitar impacto mais severo sobre as atividades operacionais.

Entre os principais pedidos apresentados à Justiça está a suspensão temporária das cobranças e execuções movidas por credores, mecanismo tradicionalmente utilizado em processos de recuperação judicial para impedir bloqueios de ativos e preservar o funcionamento das empresas durante as negociações.

Além disso, o Grupo Toky solicitou a liberação imediata de R$ 77 milhões em recebíveis de cartão de crédito vinculados às vendas realizadas aos consumidores.

Segundo a empresa, esses recursos foram bloqueados pela SRM Bank, situação que, na avaliação da companhia, pode gerar estrangulamento financeiro em curto prazo.

O grupo afirma no pedido judicial que a retenção dos valores representa risco concreto de paralisação das operações caso não haja liberação rápida dos recursos.

A empresa também pediu liminar para antecipação dos efeitos da recuperação judicial por 180 dias enquanto o processo é analisado pelo Judiciário. Nesse período, a companhia busca ganhar fôlego financeiro para negociar com credores e reorganizar sua estrutura de capital.

A recuperação judicial ocorre em um momento de pressão crescente sobre o varejo brasileiro, especialmente empresas ligadas a bens duráveis e produtos de maior valor agregado.

O setor vem enfrentando desaceleração do consumo, aumento da inadimplência das famílias e dificuldade de acesso ao crédito em meio à manutenção dos juros em patamares elevados nos últimos anos.

A Tok&Stok já vinha atravessando um processo de reorganização operacional antes da formação do Grupo Toky, estrutura criada após a aproximação com a Mobly.

Mesmo com tentativas anteriores de reestruturação, redução de despesas e renegociação financeira, o grupo não conseguiu estabilizar o endividamento.

O pedido de recuperação judicial agora abre uma nova fase para a companhia, que precisará negociar condições com bancos, fornecedores e demais credores para evitar deterioração adicional da operação.

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