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BB vê custo do crédito saltar 85% e lucro despenca no 1º trimestre de 2026

BB vê custo do crédito saltar 85% e lucro despenca no 1º trimestre de 2026

O Banco do Brasil (BBAS3) encerrou a temporada de resultados dos grandes bancos no primeiro trimestre de 2026 com um balanço pressionado pela deterioração da carteira de agronegócio e pelo aumento expressivo do custo de crédito. A instituição reportou lucro líquido ajustado de R$ 3,4 bilhões entre janeiro e março, resultado que representa queda de 53,5% em relação ao mesmo período do ano passado.

O número ficou próximo das projeções do mercado. Analistas consultados pela plataforma LSEG estimavam lucro de R$ 3,49 bilhões para o período.

O principal fator de pressão sobre o balanço foi o aumento das despesas relacionadas à inadimplência, especialmente no segmento agropecuário, área historicamente estratégica para o Banco do Brasil.

O custo de crédito da instituição disparou 85,8% na comparação anual e atingiu R$ 18,9 bilhões no trimestre, refletindo o avanço das dificuldades financeiras enfrentadas por produtores rurais em meio ao ambiente de juros elevados, problemas climáticos em algumas regiões e deterioração da capacidade de pagamento do setor.

Em comunicado divulgado junto ao resultado, a presidente do banco, Tarciana Medeiros, reconheceu o ambiente mais adverso para o risco de crédito. “O lucro do primeiro trimestre evidencia a forte capacidade de geração de negócios do Banco do Brasil, ao mesmo tempo em que reflete um ambiente mais desafiador para o risco de crédito, com maior pressão especialmente na carteira de agronegócios”, afirmou.

O impacto sobre a rentabilidade do banco também foi significativo. O retorno sobre patrimônio líquido (ROE), principal indicador de eficiência e lucratividade dos bancos, caiu para 7,3% no primeiro trimestre. Um ano antes, o índice estava em 16,7%. No quarto trimestre de 2025, havia encerrado em 12,4%.

A retração colocou o Banco do Brasil muito abaixo dos principais concorrentes privados, como Itaú, BTG Pactual e Santander, que mantiveram níveis de rentabilidade mais elevados nesta temporada de balanços.

A margem financeira bruta do BB totalizou R$ 27,4 bilhões no trimestre. O indicador apresentou queda de 1,3% na comparação com o quarto trimestre de 2025, mas avançou 14,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Segundo o banco, o desempenho ficou dentro da sazonalidade esperada para o início do ano.

A carteira de crédito expandida atingiu R$ 1,3 trilhão, crescimento de 2,2% na comparação anual, mostrando desaceleração no ritmo de expansão das operações em um cenário mais conservador para concessão de crédito.

Diante do agravamento da inadimplência rural, o banco afirmou ter intensificado medidas de recuperação e cobrança.

Segundo Tarciana Medeiros, a instituição ampliou o uso de garantias com alienação fiduciária e reforçou os mecanismos de cobrança judicial.

“Nos primeiros meses de 2026, já dobramos o número de judicializações realizadas durante todo o ano passado. Isso reflete o nosso direcionamento de buscar a recuperação dos nossos ativos”, declarou a executiva.

Apesar da pressão sobre o crédito, algumas linhas operacionais apresentaram desempenho positivo.

As receitas de prestação de serviços cresceram 5,5% na comparação anual, somando R$ 8,8 bilhões no trimestre.

Os principais destaques foram administração de fundos, com alta de 8,6%; seguros, previdência e capitalização, com avanço de 3,5%; e consórcios, que cresceram 14%.

O resultado reforça a mudança de cenário enfrentada pelo Banco do Brasil em 2026, especialmente após anos em que o agronegócio impulsionou o crescimento da carteira de crédito da instituição.

Agora, o aumento da inadimplência rural passou a pressionar diretamente provisões, rentabilidade e geração de lucro do banco.

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