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XP vê potencial de quase 85% para Agibank e aposta em crescimento acelerado do lucro

Corretora vê modelo de negócios diferenciado, expansão do crédito consignado e valuation atrativo para as ações do Agibank

A XP iniciou a cobertura das ações do Agibank (AGBK), negociadas na Bolsa de Nova York, com recomendação de compra e preço-alvo de US$ 13 para o fim de 2026. A projeção representa potencial de valorização de aproximadamente 84,7% em relação ao último fechamento dos papéis e reflete a visão positiva da corretora sobre a capacidade de crescimento da instituição nos próximos anos.

Na avaliação dos analistas, o principal diferencial do Agibank está em um modelo de negócios focado em linhas de crédito com garantias e menor risco de inadimplência, especialmente no segmento de crédito consignado para aposentados, pensionistas do INSS e servidores públicos. Segundo a XP, essa operação continua sendo o principal motor de resultados do banco, combinando expansão da carteira, eficiência de capital e níveis historicamente baixos de inadimplência.

A corretora destaca que a carteira de consignado voltada ao público do INSS apresenta taxa de inadimplência acima de 90 dias próxima de 2%, patamar considerado bastante controlado para os padrões do setor financeiro. Essa característica permite ao banco manter crescimento consistente mesmo em um ambiente econômico mais desafiador.

Além do consignado tradicional, a XP vê espaço para uma expansão relevante do crédito consignado privado, segmento que deve ganhar participação nos próximos anos e contribuir para elevar a rentabilidade das operações. Segundo os analistas, essa linha tende a oferecer retornos mais elevados, fortalecendo as margens financeiras da instituição e acelerando a geração de resultados.

Outro ponto destacado pela corretora é o modelo operacional híbrido adotado pelo banco. A instituição combina plataformas digitais com uma rede física formada por mais de 1.100 unidades de atendimento espalhadas pelo país. Os chamados Smart Hubs são apontados como um dos pilares da estratégia comercial, permitindo ampliar a distribuição de produtos financeiros e fortalecer o relacionamento com clientes em regiões onde a presença física ainda exerce papel relevante.

De acordo com a XP, essas unidades apresentam prazo de retorno inferior a quatro meses, fator que favorece a expansão da rede sem comprometer significativamente a rentabilidade. A estrutura também contribui para elevar a receita gerada por cliente. Segundo o relatório, o faturamento médio por usuário ativo é aproximadamente três vezes superior ao observado em concorrentes do setor, mesmo com custos operacionais mais elevados.

Essa combinação entre receita robusta e eficiência operacional ajuda a explicar os indicadores de rentabilidade do banco. Após registrar retorno sobre patrimônio líquido (ROE) próximo de 36% no quarto trimestre de 2025, a XP acredita que o indicador deve se estabilizar em torno de 25% nos próximos anos. Embora represente uma normalização após níveis excepcionalmente elevados, a corretora considera esse patamar bastante atrativo quando comparado ao de outras instituições financeiras.

As projeções da casa também apontam para uma trajetória consistente de expansão dos resultados. A expectativa é que o lucro líquido avance, em média, cerca de 18% ao ano entre 2025 e 2028. Já a receita líquida de juros (NII) deve apresentar crescimento anual composto próximo de 21% no mesmo período, impulsionada pela expansão da carteira de crédito e pelo aumento da participação de produtos com maior rentabilidade.

Os analistas ressaltam ainda que aproximadamente 90% da carteira de crédito do Agibank possui algum tipo de garantia associada às operações. Essa característica reduz o risco de perdas e contribui para preservar a qualidade dos ativos, mesmo em períodos de maior pressão econômica.

Outro aspecto que reforça a visão positiva da XP é a avaliação de que as ações continuam negociadas com desconto em relação ao potencial de crescimento da companhia. Para a corretora, o mercado ainda incorpora parte das incertezas geradas pelas recentes mudanças regulatórias que afetaram temporariamente o segmento de crédito consignado.

Na visão dos analistas, à medida que esses impactos forem absorvidos e a trajetória de crescimento voltar a se consolidar, existe espaço para uma reprecificação dos papéis. Esse processo de re-rating, segundo a XP, tende a aproximar a avaliação da companhia dos fundamentos operacionais e da capacidade de geração de lucro apresentada pelo banco.

A expectativa da corretora é que 2026 marque justamente o início desse movimento de recuperação, sustentado pela retomada do crescimento, pela expansão do consignado privado e pela manutenção de indicadores de rentabilidade e qualidade de crédito considerados acima da média do setor financeiro.

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