O Banco de Brasília (BRB) sofreu um novo revés nesta sexta-feira (5), após a agência de classificação de risco S&P Global rebaixar a nota de crédito da instituição e alertar para as incertezas envolvendo o plano de capitalização que busca recompor as perdas associadas às operações com o Banco Master.
A classificação nacional de longo e curto prazo foi reduzida de “brB-/brB” para “brCCC+/brC”, nível que indica uma instituição considerada altamente vulnerável e dependente de condições econômicas, financeiras e operacionais favoráveis para cumprir seus compromissos financeiros.
Segundo a S&P, o principal fator para a decisão foi o aumento dos riscos relacionados à execução do plano de socorro que está sendo estruturado entre o Governo do Distrito Federal, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e órgãos federais. A agência destacou que a necessidade de capitalização estimada entre R$ 6 bilhões e R$ 8 bilhões passou a representar o maior desafio para o banco diante das perdas registradas após os acontecimentos recentes envolvendo o Banco Master.
Na avaliação da agência, embora a operação de reforço de capital possa contribuir para restaurar a estabilidade financeira do BRB, sua implementação depende de uma estrutura considerada complexa, envolvendo recursos públicos, aprovação de diferentes instâncias e condições de mercado que ainda precisam ser cumpridas. Por isso, a S&P entende que permanecem elevadas as incertezas sobre o cronograma e a efetiva disponibilidade dos recursos.
“O principal desafio do banco passou a ser a execução do plano de capitalização diante das perdas decorrentes dos eventos recentes”, destacou a agência em relatório. A S&P acrescenta que eventuais atrasos na operação ou insuficiência dos recursos necessários para absorver os impactos financeiros podem aumentar significativamente os riscos para a instituição.
A preocupação da agência surge poucos dias após o anúncio do acordo entre o Governo do Distrito Federal e a União para viabilizar uma operação de até R$ 6,5 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos. O objetivo da medida é reforçar o patrimônio do BRB e garantir sua capacidade operacional após a deterioração provocada pelos desdobramentos ligados ao Banco Master e às investigações em andamento.
Além dos desafios financeiros, a S&P também chamou atenção para fatores políticos e institucionais que podem dificultar a concretização do plano. O relatório menciona que a operação ainda depende de etapas legislativas e administrativas que podem enfrentar obstáculos, especialmente em um ambiente marcado pela proximidade das eleições e pelas pressões fiscais enfrentadas pelo Distrito Federal.
Na visão da agência, esse contexto amplia as dúvidas sobre a velocidade com que a capitalização poderá ser executada e sobre o volume final de recursos efetivamente disponível para fortalecer a instituição. O cenário é considerado particularmente sensível devido à necessidade urgente de recomposição patrimonial.
Outro ponto destacado pela S&P envolve os possíveis desdobramentos da Operação Compliance Zero. Segundo a agência, novas revelações ou medidas decorrentes das investigações podem gerar impactos adicionais sobre a liquidez, a capacidade de captação de recursos, a geração de negócios e a posição financeira do banco.
A classificação de risco também incorpora preocupações relacionadas ao potencial desgaste reputacional da instituição. A agência avalia que a exposição contínua a investigações e notícias negativas pode dificultar a atração de novos clientes, investidores e parceiros comerciais, afetando o crescimento futuro dos negócios.










