A Shell está avançando em mais uma etapa de sua reestruturação estratégica e prepara a venda de seus parques eólicos offshore, em uma operação que pode movimentar mais de US$ 1 bilhão. A iniciativa reforça a mudança de direção adotada pela companhia nos últimos anos, com foco crescente nos negócios de petróleo e gás natural, considerados mais rentáveis para os acionistas.
Segundo informações de pessoas familiarizadas com o processo, a petroleira contratou os bancos de investimento Rothschild & Co. e PJT Partners para conduzir a operação. A expectativa é que o processo de venda seja lançado até o fim deste ano, com conclusão prevista para 2027.
O movimento faz parte da estratégia implementada pelo CEO Wael Sawan desde que assumiu o comando da companhia, em 2023. Desde então, a Shell tem promovido cortes de custos, revisão de investimentos e venda de ativos considerados menos rentáveis, buscando elevar a geração de caixa e o retorno aos acionistas.
A possível alienação dos parques eólicos offshore se soma a outras iniciativas recentes da companhia no segmento de energia limpa. A Shell já está conduzindo a venda de sua divisão europeia de energias renováveis onshore e também busca compradores para a Sprng Energy, empresa indiana do setor adquirida em 2022 por US$ 1,55 bilhão. Em 2025, a companhia também abandonou projetos de desenvolvimento de parques eólicos offshore na Escócia.
A decisão representa uma mudança relevante em relação à estratégia adotada nos anos anteriores. A Shell chegou a estabelecer metas ambiciosas para ampliar sua presença no mercado de eletricidade renovável, com planos de se tornar uma das maiores fornecedoras globais de energia elétrica. No entanto, essa visão perdeu força após a chegada de Sawan ao comando da empresa.
A reorientação estratégica ocorre em um momento em que diversas grandes petroleiras revisam seus planos de transição energética diante da pressão por rentabilidade e da demanda contínua por petróleo e gás. Para investidores, a medida sinaliza que a Shell pretende concentrar recursos em áreas consideradas mais lucrativas, mesmo que isso reduza significativamente sua exposição ao segmento de energia renovável.









