O Itaú BBA promoveu uma ampla reformulação em sua carteira recomendada de ações para julho, substituindo quatro dos cinco ativos que compunham a seleção anterior. A única ação mantida foi a da Axia Energia, enquanto Bradesco, Nubank, Embraer e Sabesp passaram a integrar o portfólio no lugar de Aura Minerals, BTG Pactual, Equatorial e Petrobras.
A revisão ocorre após um desempenho negativo da carteira em junho. No período, o portfólio recuou 4,5%, resultado inferior ao do Ibovespa, que registrou queda de 1%. Segundo o banco, o principal impacto veio das ações da Aura Minerals, que caíram cerca de 19%, acompanhando o recuo de aproximadamente 12% no preço internacional do ouro.
Entre as novas recomendações, a Embraer aparece como uma das principais apostas do banco. O Itaú BBA destaca que a fabricante de aeronaves combina uma carteira de pedidos em níveis recordes, perspectivas de expansão das margens operacionais e elevada participação de receitas atreladas ao dólar, fatores que aumentam a previsibilidade dos resultados. O banco também avalia que o crescimento dos investimentos globais em defesa pode abrir espaço para novos contratos no segmento militar.
O Nubank também passou a integrar a carteira após a queda acumulada de aproximadamente 25% das ações desde o início do ano. Para os analistas, a desvalorização tornou a ação mais atrativa, reduzindo seu múltiplo de preço sobre lucro para cerca de 13 vezes.
Segundo o relatório, a instituição financeira deve continuar ampliando sua base de clientes, expandindo a oferta de produtos de crédito e aumentando sua rentabilidade, fatores que sustentam uma perspectiva positiva para os próximos trimestres.
A entrada da Sabesp reflete a expectativa de que a companhia reúna catalisadores mais relevantes no curto e médio prazo do que a Equatorial. Entre eles, o Itaú BBA cita a possibilidade de a empresa avançar no programa Universaliza SP 2, iniciativa que poderá ampliar sua área de atuação, gerar ganhos de escala e fortalecer a capacidade de criação de valor para os acionistas.
Já o Bradesco foi incluído em razão da avaliação de que suas ações negociam com desconto em relação ao histórico e aos principais concorrentes. O banco também destaca a melhora gradual na qualidade da carteira de crédito e a expectativa de recuperação da rentabilidade, mesmo em um ambiente macroeconômico mais desafiador.
Do lado das exclusões, a Petrobras deixou a carteira após a redução das perspectivas para o mercado de petróleo. Segundo o Itaú BBA, o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã contribuiu para a queda do preço do barril do Brent para a faixa de US$ 72, reduzindo o potencial de valorização das ações no curto prazo.
Apesar da retirada, os analistas afirmam que a tese de investimento na estatal permanece apoiada na forte geração de caixa e na elevada distribuição de dividendos. No entanto, a instituição entende que outras empresas oferecem uma relação mais favorável entre risco e retorno neste momento.
As saídas de Aura Minerals, BTG Pactual e Equatorial também refletem um rebalanceamento da carteira diante das condições atuais de mercado. No caso da Equatorial, o Itaú BBA ressalta que continua enxergando valor na companhia para o longo prazo, mas considera que a Sabesp reúne perspectivas mais favoráveis para os próximos meses.









