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Morgan Stanley corta preço-alvo da Vale e rebaixa recomendação

Banco vê menor potencial para a Vale com queda esperada no minério de ferro, custos mais altos e desaceleração da produção de aço na China

O Morgan Stanley rebaixou a recomendação para as ações da Vale (VALE3), passando de overweight, equivalente à compra, para equal-weight, classificação semelhante à neutra. O banco também reduziu o preço-alvo dos ADRs da mineradora negociados em Nova York de US$ 19,50 para US$ 16,50, citando um cenário menos favorável para o mercado de minério de ferro e custos de produção mais elevados.

Segundo os analistas, a revisão faz parte de uma atualização das perspectivas para o setor de mineração na América Latina, que passou a privilegiar empresas expostas ao cobre e aos metais preciosos em detrimento das ligadas ao minério de ferro e ao alumínio.

Na avaliação do banco, o principal fator por trás da mudança é a expectativa de desaceleração da produção global de aço, especialmente na China, maior consumidora mundial de minério de ferro. Esse cenário levou o Morgan Stanley a reduzir entre 2% e 4% suas projeções para os preços da commodity entre 2026 e 2028, tornando o minério de ferro a matéria-prima menos atrativa entre as acompanhadas pela instituição.

Além das perspectivas mais fracas para os preços, o banco revisou para cima suas estimativas de custos da Vale. A previsão para o custo caixa C1 passou para US$ 23 por tonelada em 2026, cerca de 5% acima da estimativa anterior e superior ao guidance divulgado pela companhia, que varia entre US$ 20 e US$ 21,50 por tonelada.

Para 2027, a projeção também foi elevada, alcançando US$ 19,50 por tonelada, avanço de 7% em relação ao modelo anterior.

As mudanças levaram o Morgan Stanley a revisar suas projeções financeiras para a mineradora. O banco estima um Ebitda no segundo trimestre 9% inferior ao consenso de mercado e um resultado anual cerca de 7% abaixo das expectativas médias dos analistas.

As projeções de lucro por ação também foram reduzidas. O banco agora trabalha com estimativas 13% inferiores ao consenso para o segundo trimestre e cerca de 6% abaixo das expectativas para o resultado de 2026.

Apesar da visão mais cautelosa para o segmento de minério de ferro, os analistas destacam que a divisão de metais básicos da Vale continua apresentando evolução operacional positiva. No entanto, avaliam que esse potencial já está refletido na cotação das ações, que atualmente negociam em níveis próximos às médias históricas de valuation, limitando novas revisões positivas de preço no curto prazo.

Banco reforça preferência por cobre e ouro

Na revisão para o setor de mineração, o Morgan Stanley reforçou sua estratégia de privilegiar empresas expostas ao cobre e aos metais preciosos.

O banco elevou a recomendação da Ivanhoe Mines para overweight, avaliando que a forte queda das ações após o evento sísmico registrado na mina Kakula abriu uma oportunidade de investimento para quem busca exposição ao crescimento estrutural da demanda por cobre.

Por outro lado, a Alcoa teve sua recomendação reduzida para equal-weight. Segundo o Morgan Stanley, o mercado global de alumínio tende a apresentar excesso de oferta a partir de 2027, impulsionado pela retomada da produção no Oriente Médio e pela entrada de novos projetos em países como Indonésia, Arábia Saudita, Índia e Angola.

Entre todas as commodities analisadas, o banco mantém o cobre como sua principal aposta, sustentado pela oferta mais restrita, pela demanda considerada resiliente da China e pelos possíveis efeitos das tarifas comerciais adotadas pelos Estados Unidos. O ouro também permanece entre os ativos preferidos, enquanto o minério de ferro continua sob perspectiva mais cautelosa diante da combinação entre aumento da oferta global e menor ritmo da indústria siderúrgica.

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