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BC prepara medidas para conter riscos do crédito às famílias

BC avalia novas regras para fortalecer o crédito e exige cautela dos bancos diante de juros elevados, maior inadimplência e endividamento das famílias

O aumento da inadimplência e o peso das modalidades mais caras na dívida das famílias levaram o Banco Central a preparar novas medidas para reduzir riscos no mercado de crédito. A autoridade monetária pretende atuar principalmente sobre operações emergenciais, em um momento de juros elevados e maior comprometimento da renda dos consumidores.

A sinalização consta do comunicado divulgado nesta quarta-feira pelo Comitê de Estabilidade Financeira (Comef). Segundo o BC, a participação relevante de linhas mais onerosas no endividamento das famílias já vinha sendo tratada como ponto de atenção e exige ações para preservar tanto a sustentabilidade do crédito quanto a capacidade do sistema financeiro de absorver eventuais perdas.

O documento não detalha quais medidas serão adotadas. A direção indicada pelo Banco Central, entretanto, é de reforço dos instrumentos macroprudenciais, que permitem atuar sobre a concessão de crédito e sobre os riscos assumidos pelas instituições sem depender exclusivamente de alterações na Selic.

O cenário considerado pelo Comef combina juros em nível contracionista, crescimento da inadimplência e aumento do comprometimento de renda e do endividamento das famílias. Para a autoridade monetária, essas condições exigem maior cautela dos bancos na seleção dos clientes, na qualidade das novas operações e na definição do risco que estão dispostos a assumir.

O presidente do BC, Gabriel Galípolo, já havia antecipado nesta semana que a instituição trabalha no desenho de medidas para aproximar as provisões feitas pelos bancos dos riscos efetivamente assumidos em suas carteiras. A preocupação é impedir que instituições ampliem rapidamente sua participação no mercado por meio de concessões excessivamente arriscadas sem manter capital compatível com as possíveis perdas.

Na prática, exigências prudenciais mais rigorosas podem alterar os incentivos para a concessão de determinadas linhas. Caso operações consideradas mais arriscadas passem a exigir maior provisionamento ou capital dos bancos, essas modalidades podem se tornar menos atraentes para as instituições, reduzindo a expansão do crédito de maior risco.

Apesar do alerta, o Comef não identifica neste momento um problema de solvência no sistema bancário. O Banco Central avalia que as instituições mantêm voluntariamente níveis de capital e liquidez superiores às exigências regulatórias e que as provisões para perdas permanecem adequadas para enfrentar uma eventual deterioração do crédito.

A recomendação, contudo, é que os bancos preservem uma gestão conservadora desses recursos diante das incertezas econômicas. O objetivo é evitar que o aumento da inadimplência das famílias se transforme em deterioração relevante dos balanços das instituições financeiras.

O monitoramento também considera riscos externos. O BC mantém atenção sobre as políticas monetária e fiscal das economias desenvolvidas, mudanças nas relações comerciais, oscilações dos preços dos ativos globais e tensões geopolíticas, fatores capazes de alterar as condições financeiras e aumentar a pressão sobre crédito, juros e atividade econômica no Brasil.

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