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Open Finance chega a 240 milhões de consentimentos ativos no Brasil

Sistema multiplicou autorizações desde 2023, mas estudo aponta falhas de eficiência, baixo conhecimento do público e taxa média de sucesso de 57%

Cinco anos depois de entrar em operação, o Open Finance alcançou escala relevante no sistema financeiro brasileiro. O ecossistema soma cerca de 240 milhões de consentimentos ativos e reúne aproximadamente 800 instituições participantes, segundo estudo da Zetta elaborado com dados da AtlasIntel.

O número de autorizações cresceu de forma acelerada. Em dezembro de 2023, havia 41,9 milhões de consentimentos ativos. Em julho deste ano, o volume havia se aproximado de 240 milhões, refletindo a expansão do compartilhamento de dados entre bancos, fintechs e outras instituições financeiras.

Na prática, o Open Finance permite que o próprio cliente autorize o envio de suas informações financeiras de uma instituição para outra. A proposta é ampliar a capacidade de comparação e personalização de produtos, facilitar a análise de perfil e aumentar a concorrência, inclusive com potencial de reduzir custos de crédito.

Apesar da expansão, o conhecimento do público ainda é limitado. Segundo a pesquisa, 81,9% dos entrevistados afirmam já ter ouvido falar do Open Finance, mas apenas 21% dizem se considerar informados sobre como o sistema funciona.

Essa diferença também aparece no uso das funcionalidades disponíveis. Metade da população ainda desconhece recursos já existentes, como a possibilidade de utilizar dados compartilhados para buscar condições melhores em operações de crédito.

A portabilidade salarial aparece entre as funcionalidades de maior interesse. Ela foi citada por 41,7% dos entrevistados como uma das prioridades para o desenvolvimento do ecossistema nos próximos anos.

Para a Zetta, o desafio agora deixou de ser simplesmente ampliar a adesão e passou a se concentrar na qualidade da infraestrutura. A entidade identifica três frentes principais: melhorar a experiência do usuário, aumentar a performance das conexões e reduzir ineficiências no processamento de dados.

Um dos principais problemas está no volume de consultas automáticas que não geram informação nova. Mais de 60% das solicitações realizadas pelo sistema seriam consideradas inúteis porque buscam dados que não sofreram alteração.

A proposta discutida no estudo é substituir esse modelo por uma lógica em que as informações sejam enviadas apenas quando houver mudança efetiva. Segundo a Zetta, essa alteração poderia elevar a eficiência para mais de 93% e reduzir o intervalo de atualização dos dados de até 14 dias para cerca de 15 minutos.

Outro ponto de atenção é a taxa de sucesso na troca de informações entre as instituições. A média está em aproximadamente 57%, mas em alguns casos pode cair para perto de 20%, indicando dificuldades técnicas que ainda afetam a confiabilidade da experiência para consumidores e empresas.

O estudo avalia que esses indicadores reforçam a necessidade de aprimoramento operacional e de fiscalização mais intensa pelo Banco Central. A consolidação do Open Finance, portanto, dependerá menos do crescimento do número de participantes e mais da capacidade de tornar o compartilhamento de dados mais rápido, estável e útil.

Para o consumidor, essa evolução pode determinar o impacto real do sistema sobre competição bancária, crédito e serviços financeiros. Com mais dados disponíveis e maior eficiência na integração entre instituições, a tendência é que bancos e fintechs consigam oferecer produtos mais ajustados ao perfil de cada cliente.

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