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XP lança Fiagro de R$ 5,3 bilhões com carteira ligada ao agro

Novo Fiagro da XP nasce com R$ 5,3 bilhões e estrutura de diferentes classes de cotas; retorno-alvo das seniores varia de 94% a 97% do CDI

A XP Vista estruturou um novo Fiagro de R$ 5,3 bilhões voltado principalmente para ativos de crédito do agronegócio. Batizado de XP CDI CRA Fiagro, o veículo nasce com uma estrutura de classes com diferentes níveis de risco e retorno e prevê investimentos principalmente em Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) e cotas de outros Fiagros.

A operação segue uma estratégia que também vem sendo utilizada por outras grandes instituições financeiras para organizar carteiras de crédito por meio de fundos. No caso da XP, documentos disponíveis na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) mostram que o montante inicial foi integralmente subscrito por partes relacionadas à oferta.

A estrutura combina um fundo principal, conhecido no mercado como master, com fundos feeder, utilizados para canalizar os recursos dos investidores para o veículo central. O modelo é semelhante ao adotado pela XP em seu CDI CRI FII, voltado ao mercado imobiliário.

O novo Fiagro possui quatro subclasses seniores, identificadas como A1, A2, A3 e A4. As duas primeiras podem ser subscritas pelos fundos feeder, que posteriormente podem captar recursos junto a uma base mais ampla de investidores. As demais foram estruturadas para investidores qualificados.

Além das cotas seniores, o fundo possui classes mezanino e subordinada. Essa divisão estabelece diferentes níveis de proteção: as cotas seniores contam com uma subordinação de 15%, formada pelas classes mezanino e subordinada, enquanto a mezanino possui proteção de 10%. Eventuais perdas da carteira, portanto, atingem inicialmente as posições subordinadas antes das classes com maior prioridade.

As cotas seniores e mezanino têm prazo inicial de um ano, com possibilidade de prorrogação por mais dois anos a critério da gestora. As subordinadas ficam atrás das demais na ordem de amortização e recebem recursos depois da liquidação das classes sênior e mezanino.

Os retornos-alvo também variam conforme a posição na estrutura. Para as classes seniores, a referência fica entre 94% e 97% do CDI. A cota mezanino tem retorno-alvo equivalente ao CDI acrescido de 4,50%. Já a subordinada não possui a mesma remuneração predeterminada e fica com o resultado residual após os pagamentos das demais classes. As taxas representam objetivos da estrutura e não garantia de rentabilidade.

Outra característica é a ausência, nos documentos públicos, de uma cláusula explícita de recompra das cotas pelo valor na curva, mecanismo presente no fundo imobiliário semelhante mantido pela gestora. No Fiagro, a XP aparece como formadora de mercado das cotas.

A carteira deverá ser composta principalmente por CRAs e participações em outros Fiagros. O material da gestora apresenta uma carteira indicativa de 28 operações distribuídas entre 18 emissores, embora a composição efetiva possa mudar em relação ao pipeline apresentado inicialmente.

Entre as maiores exposições indicativas estão operações relacionadas à Seara, que representam 15% da carteira distribuídos entre dois CRAs, e à Suzano, com 13,8% por meio de duas Cédulas de Produto Rural Financeiras (CPR-F). Também aparecem um Fiagro ligado à Cocal, com participação de 6,9%, e títulos da Eldorado, com 5,1%.

A estrutura permite à XP organizar e distribuir ao mercado ativos de crédito originados ou estruturados dentro de sua própria plataforma. Para o investidor, entretanto, a análise do veículo envolve não apenas o retorno-alvo, mas também o risco dos emissores, a subordinação de cada classe, a liquidez das cotas e a composição efetiva da carteira após a alocação dos recursos.

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