O Carrefour reportou nessa quarta-feira (22) resultados do primeiro trimestre abaixo das expectativas, com o Brasil como principal foco de decepção. As vendas comparáveis da operação brasileira recuaram 0,8%, movimento que a varejista atribuiu ao impacto dos juros muito elevados sobre o poder de compra dos consumidores. A receita consolidada do grupo somou 21,14 bilhões de euros no trimestre, ficando abaixo dos 21,83 bilhões de euros esperados pelo consenso compilado pela Visible Alpha.
Na França, maior mercado do grupo, as vendas cresceram 1,4% em termos comparáveis, também levemente abaixo do projetado pelos analistas. O diretor financeiro Matthieu Malige tentou enquadrar o desempenho brasileiro de forma positiva, afirmando que o grupo apresentou resultado resiliente num contexto macroeconômico marcado por volumes de alimentos consistentemente negativos. O argumento, porém, não esconde que a operação brasileira segue pressionada por um ambiente de crédito caro e consumo fraco.
O cenário à frente também preocupa. O Carrefour já vinha com margens de lucro em trajetória de queda, recuando de 3,1% em 2021 para 2,6% no ano passado. A guerra no Irã adicionou pressão de custos via preços de energia, com risco de repasse para os alimentos nos próximos trimestres. Malige minimizou o impacto do conflito, dizendo que não observou mudanças no comportamento dos consumidores em março, primeiro mês da guerra, e que espera inflação de alimentos baixa na França ao longo de 2026. A capacidade do grupo de sustentar essa projeção depende, em grande parte, da duração e da intensidade do choque energético provocado pelo conflito.









