O JPMorgan revisou para cima suas projeções de crescimento para o Brasil depois de um início de 2026 mais forte do que o esperado. O PIB do primeiro trimestre deve crescer a uma taxa anualizada de 3,6% na comparação trimestral, acima dos 2,8% estimados anteriormente, segundo análise do banco. O desempenho reflete resultados robustos da indústria, do varejo e dos serviços nos dois primeiros meses do ano: produção industrial com alta acumulada de 3%, vendas no varejo subindo 2% e serviços avançando 0,2%, com destaque para o segmento prestado às famílias.
O banco elevou a projeção de crescimento do PIB em 2026 de 1,3% para 1,5% na comparação anual. A revisão, no entanto, vem com uma ressalva importante: o JPMorgan deixa claro que o ajuste é explicado quase inteiramente pelo efeito de carregamento estatístico do primeiro trimestre e não por uma melhora estrutural da economia. O crescimento mais forte no início do ano eleva a base de comparação, puxando a média anual para cima sem que haja mudança na trajetória esperada para os trimestres seguintes.
Na leitura do banco, a economia tende a perder fôlego a partir do segundo trimestre, com crescimento abaixo do potencial no segundo semestre. Três fatores pesam contra a atividade nesse horizonte: a deterioração das margens do setor corporativo, o aumento dos custos de insumos e as condições financeiras mais apertadas, agravadas pelos efeitos do conflito no Oriente Médio sobre os preços internacionais de energia. O ambiente externo, portanto, não apenas pressiona a inflação, mas também compromete a capacidade das empresas de investir e contratar.
Esse quadro tem implicações diretas para a política monetária. Diante de pressões inflacionárias no curto prazo e de uma atividade ainda resiliente, o JPMorgan passou a esperar uma postura mais cautelosa do Banco Central. A estimativa para o próximo movimento da Selic foi revista de um corte de 50 pontos-base para uma redução de 25 pontos-base tanto na reunião de abril quanto na de junho. Com isso, a projeção para a taxa ao fim de 2026 subiu de 11,75% para 12,25%. O banco ressalta, porém, que cortes mais lentos no curto prazo não significam uma taxa final mais alta: ao preservar a credibilidade no combate à inflação, essa trajetória tornaria mais factível uma Selic terminal de 10% em 2027, cenário central mantido pela casa.
Do lado fiscal, o JPMorgan aponta a política orçamentária como o principal fator de risco para o balanço entre crescimento e inflação. Medidas do governo para mitigar os efeitos do choque do petróleo, estimular o crédito e reduzir o endividamento das famílias podem suavizar parte do impacto negativo sobre a atividade. Ao mesmo tempo, essas iniciativas adicionam complexidade ao trabalho do BC, especialmente num ano marcado por maior sensibilidade política e com o horizonte de 2027 ainda envolto em incerteza elevada.










