A Axia Energia (AXIA3), antiga Eletrobras, iniciou 2026 com uma grande recuperação financeira e operacional. A companhia encerrou o primeiro trimestre com lucro líquido de R$ 2,6 bilhões, revertendo o prejuízo de R$ 354 milhões registrado no mesmo período do ano passado, em um resultado impulsionado principalmente pela melhora da geração de energia, redução de custos e avanço da rentabilidade nas operações de comercialização.
Considerando os efeitos ajustados — excluindo impactos extraordinários e itens sem efeito recorrente — o lucro líquido alcançou R$ 3,7 bilhões, frente ao prejuízo ajustado de R$ 80 milhões registrado um ano antes. O desempenho reforça a mudança de patamar operacional da companhia em meio ao processo de reorganização iniciado após a privatização.
A receita operacional líquida avançou 22,1% no trimestre, atingindo R$ 12,7 bilhões. O principal motor foi a área de geração de energia, cuja receita cresceu 35,3%, para R$ 9,4 bilhões, beneficiada pela melhora nas condições de venda de energia e pela maior rentabilidade no mercado de curto prazo.
Segundo a empresa, o trimestre foi marcado por um ambiente mais favorável para comercialização, com preços de energia mais elevados e menor diferença entre os valores praticados nas diferentes regiões do país, fator que ampliou as margens das operações.
O impacto apareceu diretamente na geração de caixa. O Ebitda — indicador usado pelo mercado para medir desempenho operacional — somou R$ 7,4 bilhões entre janeiro e março, alta de 72,5% na comparação anual. Em bases ajustadas, o indicador atingiu R$ 8,5 bilhões.
A margem de contribuição da área de geração praticamente dobrou no período, saltando de R$ 2,531 bilhões para R$ 5,982 bilhões. A companhia também destacou redução de despesas administrativas e operacionais, além de menor necessidade de provisões, fatores que contribuíram para o avanço do resultado.
Enquanto geração puxou o desempenho, a área de transmissão apresentou comportamento mais pressionado. A receita do segmento recuou levemente, enquanto a margem caiu 13,3%, para R$ 3,426 bilhões. Segundo a empresa, o impacto ocorreu principalmente por causa de uma provisão contábil de R$ 725 milhões relacionada a regras regulatórias do setor elétrico. A companhia ressaltou que o efeito não teve impacto no caixa.
A Axia também acelerou investimentos no trimestre. Os aportes totalizaram R$ 1,355 bilhão, crescimento de 36,2% em relação ao mesmo período do ano passado. Grande parte dos recursos foi direcionada para projetos de transmissão, expansão da rede elétrica e modernização da infraestrutura existente.
Na área financeira, a companhia mostrou melhora dos indicadores de endividamento. A dívida líquida encerrou março em R$ 46 bilhões, redução de R$ 439 milhões frente ao fim de 2025. Já a alavancagem financeira caiu para 1,8 vez a relação entre dívida líquida e geração de caixa, abaixo das 2,0 vezes observadas no trimestre anterior.
A empresa também destacou avanços no processo de simplificação da estrutura societária e reorganização do portfólio de ativos. Entre as medidas recentes estão a venda da participação na EMAE e movimentações envolvendo ativos de transmissão, iniciativas que fazem parte da estratégia de redução de riscos e aumento da eficiência operacional.
O resultado reforça o momento de transformação da antiga Eletrobras, que vem ampliando geração de caixa, reduzindo custos e buscando maior disciplina financeira após a privatização. O mercado acompanha principalmente a capacidade da companhia de sustentar margens elevadas, acelerar projetos de expansão e continuar reduzindo a alavancagem em um ambiente ainda marcado por elevada volatilidade no setor elétrico.










