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IPCA+ de 8% é oportunidade e alerta para investidores, diz economista

Economista da Ticker Wealth vê deterioração fiscal por trás do IPCA+ 8% e cita expansão da dívida e aumento da carga tributária

O Tesouro Direto voltou a pagar taxas de juro real próximas — e em alguns casos superiores — a 8% ao ano acima da inflação. Para uma parcela dos investidores, o IPCA+ 8% representa uma janela rara de rentabilidade em renda fixa. Para Charles Mendlowicz, sócio da Ticker Wealth e fundador do canal Economista Sincero, o dado é simultaneamente uma oportunidade e um termômetro de algo mais grave.

“A taxa atual traduz a percepção do mercado de que a condução fiscal do país perdeu a previsibilidade. O IPCA+ 8% mede a temperatura e a confiança dos investidores. Quando a desconfiança é grande, o juro fica elevado”, afirma o economista.

Na leitura de Mendlowicz, a raiz do problema está na continuidade de uma política focada no aumento do gasto corrente em detrimento de investimentos estruturais. O economista relembra que as promessas em torno do novo arcabouço fiscal — que substituiu o teto de gastos sob a premissa de equilibrar as contas — não se sustentaram na prática.

“Prometeram que não iam gastar mais do que a arrecadação, que daqui a pouco ia ter até superávit fiscal. No final, era tudo balela”, dispara. O resultado é uma espiral de endividamento cujo custo já não pode ser ignorado: o governo gastou R$ 1 trilhão com juros da dívida em 2025, enquanto o endividamento segue em trajetória ascendente. “Esse dinheiro poderia estar sendo usado em escolas, universidades, hospitais, portos, aeroportos e rodovias”, pontua Mendlowicz.

O economista também aponta os limites da estratégia de elevação de impostos adotada nos últimos anos. Com 27 aumentos registrados no período, Mendlowicz avalia que a política já atingiu o limite da Curva de Laffer, resultando em ineficiência e fuga de capital estrangeiro. “Não adianta você aumentar a arrecadação. De nada adianta jogar água no balde se o balde está totalmente furado”, compara.

No mercado financeiro, os efeitos já são visíveis. O Ibovespa acumula oito semanas consecutivas de queda, refletindo a migração de investidores globais para ativos considerados mais seguros no exterior — movimento que, na avaliação do economista, é diretamente influenciado pela deterioração da percepção de risco Brasil. Para o investidor de renda fixa de longo prazo, no entanto, travar taxas elevadas em títulos soberanos pode surgir como alternativa atrativa — desde que acompanhada de forte gerenciamento de risco.

Mendlowicz faz questão de equilibrar o entusiasmo com a cautela. Ele alerta para os perigos do resgate antecipado via marcação a mercado, que pode transformar uma rentabilidade aparentemente generosa em prejuízo caso o investidor precise sair antes do vencimento. “Para o longo prazo, pode ser uma oportunidade rara, mas taxas muito altas costumam refletir incerteza. Por isso é importante equilibrar entusiasmo e cautela”, observa. E conclui com um aviso direto: “No fim, IPCA+ 8% é oportunidade e alerta ao mesmo tempo. Portanto, cuidado. Você pode se machucar.”

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