Quando o investidor brasileiro descobre os ETFs de renda fixa, a confusão é quase inevitável. O PACG11 e o PACB11 chegam embalados de forma parecida — mesma gestora, mesma taxa, mesmo ativo subjacente (os títulos públicos atrelados ao IPCA). Mas quem trata os dois como equivalentes está ignorando uma diferença que pode ser a maior alavanca ou o maior risco da carteira dependendo do cenário.
A chave para entender a separação entre eles está em um conceito que a maioria dos tutoriais de renda fixa explica de forma superficial: a duration. Não é o prazo de vencimento dos títulos, mas sim a sensibilidade do preço da cota à variação das taxas de juros. Quanto maior a duration, mais a cota se move para cima quando os juros caem — e mais ela cai quando os juros sobem. E é exatamente nesse parâmetro que os dois ETFs vivem em universos distintos.
O que é o PACG11
O PACG11 é o fundo de índice do BTG Pactual que replica o IMA-B, indicador criado pela Anbima para medir o desempenho do conjunto completo de títulos públicos federais indexados ao IPCA negociados no mercado. Na prática, isso significa que a carteira do fundo reúne NTN-Bs de todos os prazos disponíveis — de vencimentos curtos a longos — ponderadas pelo valor de mercado de cada papel. O rebalanceamento ocorre mensalmente, mantendo a carteira sempre alinhada ao perfil do índice.
Para o investidor, o resultado é uma exposição diversificada à inflação, sem apostar em nenhum prazo específico. A volatilidade existe — todo ativo de renda fixa pré e indexado sofre com variações de juros —, mas o conjunto de prazos da carteira age como um amortecedor natural. O IMA-B é amplamente usado como benchmark de fundos multimercado e de pensão no Brasil, o que dá ao PACG11 um papel de referência do setor.
O que é o PACB11
O PACB11 é uma construção completamente diferente. Lançado em julho de 2024, ele acompanha o índice ITBR-IPCA Ultra Longo Convexity Enhanced, desenvolvido pela Teva Indices. A metodologia seleciona apenas as três NTN-Bs de maior prazo negociadas no mercado — e exige que cada uma tenha vencimento mínimo de 20 anos. Isso resulta em uma carteira com duration média histórica acima de 14 anos, tornando o PACB11 o ETF de Tesouro IPCA de prazo mais longo disponível na bolsa brasileira.
Além da concentração em papéis longos, o índice incorpora um mecanismo chamado de “convexidade aprimorada”. A ponderação entre os três títulos é ajustada para amplificar os ganhos em cenários de queda de juros e reduzir as perdas em cenários de alta. É uma engenharia de carteira que busca extrair o máximo de um movimento de afrouxamento monetário.
Comparativo de Duration (sensibilidade aos juros)
| PACG11 |
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~7 anos | ||
| PACB11 |
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14+ anos |
* Duration representa a sensibilidade aproximada do preço a uma variação de 1 p.p. nas taxas de juros. Fonte: ETFs Brasil / Teva Indices.
A tabela que resume tudo
| Característica | PACG11 | PACB11 |
|---|---|---|
| Índice de referência | IMA-B (Anbima) | ITBR-IPCA Ultra Longo CE (Teva) |
| Composição da carteira | Todas as NTN-Bs do mercado | Apenas as 3 NTN-Bs mais longas |
| Prazo mínimo dos títulos | Sem restrição de prazo | Mínimo de 20 anos |
| Duration média | ~7 anos | Acima de 14 anos |
| Volatilidade esperada | Moderada | Alta |
| Taxa de administração | 0,19% ao ano | 0,19% ao ano |
| Aporte mínimo | R$ 10 | R$ 10 |
| Distribui dividendos | Não (reinvestido) | Não (reinvestido) |
| Gestora | BTG Asset Management | BTG Asset Management |
Como cada um se comporta em diferentes cenários de juros
A maior parte dos investidores compra um ETF de inflação com o mesmo raciocínio: proteger o patrimônio do avanço dos preços. Mas a escolha entre PACG11 e PACB11 vai além disso — ela é uma aposta implícita sobre o que vai acontecer com as taxas de juros nos próximos anos.
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O contexto macroeconômico brasileiro de meados de 2026 ilustra bem esse trade-off. Num ambiente de Selic elevada e expectativas de corte gradual de juros no horizonte, o PACB11 passou a receber maior atenção na carteira recomendada do próprio BTG — que ampliou a alocação no ativo justamente para capturar o potencial de valorização de papéis longos num ciclo de afrouxamento.
A tributação — e o detalhe que a maioria ignora
Ambos os ETFs compartilham uma vantagem fiscal relevante em comparação com o investimento direto nos títulos do Tesouro Direto: a alíquota de imposto de renda sobre o ganho de capital é de 15% independentemente do prazo de permanência. Quem investe no Tesouro Direto diretamente paga 22,5% se vender antes de 180 dias, com redução progressiva até 15% apenas após dois anos. O ETF entrega a alíquota mínima desde o primeiro dia.
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Tributação — ETF vs Tesouro Direto
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Vale lembrar que, para fins fiscais, os ETFs de renda fixa são tratados como renda variável — as operações são declaradas na ficha de renda variável do IR e o recolhimento de eventuais ganhos acima de R$ 20 mil por mês exige DARF no mês seguinte. Quem já investe em ações está familiarizado com essa dinâmica; para quem vem exclusivamente da renda fixa tradicional, é um ponto de atenção.
Para quem é cada um
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Podem coexistir na mesma carteira?
Sim — e faz sentido estratégico em muitos casos. O PACG11 funciona bem como núcleo da alocação em inflação, pela diversificação de prazos e menor volatilidade. O PACB11 entra como um satélite direcional, com peso menor, para amplificar o resultado em cenários de queda de juros sem comprometer a estabilidade da carteira como um todo. A carteira recomendada de ETFs do próprio BTG Pactual para 2026 opera exatamente nessa lógica, mantendo os dois ao mesmo tempo com pesos diferentes.
A proporção vai depender da convicção do investidor sobre o ciclo de juros e do quanto ele tolera ver a cota oscilar no curto prazo. Não há resposta universal — mas entender a mecânica de cada um é o primeiro passo para essa decisão ser técnica, não emocional.










