EmpresasInvestimentosNotícias

XP salta 30% e supera preço-alvo de US$ 27 traçado pelo Itaú

Itaú projeta lucro de R$ 6 bilhões para a XP em 2027 e avalia cenários entre US$ 15 e US$ 33 para a ação negociada em Nova York

A disparada das ações da XP nesta segunda-feira (5) colocou o papel acima do novo preço-alvo calculado pelo Itaú BBA para o fim de 2027. A instituição elevou sua estimativa de US$ 22 para US$ 27 e manteve recomendação de compra, mas XP avançou cerca de 30% no pregão, para US$ 28,15, em meio à forte valorização dos ativos brasileiros após o primeiro turno das eleições.

Apesar de a cotação ter ultrapassado o preço-alvo do cenário-base, o relatório do Itaú trabalha com diferentes hipóteses para a companhia. Na avaliação do banco, a XP reúne potencial tanto para crescimento dos lucros quanto para expansão dos múltiplos caso haja retomada mais consistente da atividade no mercado de capitais.

Antes da forte alta do papel, a XP negociava a aproximadamente 9,6 vezes o lucro projetado para os 12 meses seguintes, múltiplo cerca de 9% abaixo de sua média histórica recente. O banco também apontava desconto em relação a empresas como BTG Pactual e B3.

A tese está concentrada em três fatores: recuperação da atividade dos investidores de varejo, maior capacidade de monetização dos produtos de renda fixa e ganhos de eficiência operacional.

No mercado de ações, o Itaú observa que investidores pessoas físicas mantêm aproximadamente 15,2% de suas carteiras em renda variável, bem abaixo dos quase 30% registrados em 2020. O volume negociado também permanece próximo da parte inferior de sua faixa histórica, deixando espaço para recuperação caso o interesse pela Bolsa aumente.

No cenário-base para 2027, o Itaú trabalha com volume médio diário negociado em ações de R$ 4,4 bilhões. Se a participação das ações nas carteiras dos clientes subir para 17,3% e a rotatividade alcançar 112%, esse volume poderia chegar a R$ 5,6 bilhões. Pelas estimativas do banco, o movimento acrescentaria aproximadamente 6% à receita bruta da XP, mesmo sem alteração na taxa de monetização.

Uma recuperação mais intensa elevaria os números. Com 19,3% das carteiras direcionadas às ações e rotatividade de 138%, o volume médio diário poderia atingir R$ 7,7 bilhões. Dependendo da capacidade de monetização, a receita bruta ficaria entre 10% e 16% acima da estimativa-base.

A renda fixa representa outra variável importante. Uma migração maior dos investidores para ações poderia reduzir a participação desses produtos nas carteiras, mas o Itaú considera que a XP pode compensar parte desse movimento aumentando a monetização. A queda dos juros também poderia favorecer a saída de aplicações de liquidez diária para títulos corporativos de prazos maiores.

O terceiro pilar está na eficiência. O cenário-base do banco considera margem antes dos impostos de 30,7% em 2027. Se a receita superar a projeção em 9% e a eficiência melhorar 0,75 ponto percentual, o lucro antes dos impostos poderia ficar mais de 11% acima da estimativa inicial.

O preço-alvo de US$ 27 considera lucro de aproximadamente R$ 6 bilhões em 2027 e múltiplo de 12,2 vezes o lucro projetado. O Itaú, entretanto, simulou trajetórias alternativas para mostrar a sensibilidade da avaliação às mudanças de lucro e múltiplo.

Mantendo lucro de R$ 6 bilhões, mas elevando o múltiplo para 13 vezes, o valor estimado pelo banco chegaria a US$ 29. Em uma hipótese mais otimista, com lucro líquido de R$ 7,1 bilhões e o mesmo múltiplo de 13 vezes, a ação poderia alcançar aproximadamente US$ 33.

O cenário negativo considera impacto relativamente menor sobre os resultados operacionais, mas uma compressão do múltiplo para sete vezes. Nessa situação, a estimativa para o papel cairia para aproximadamente US$ 15.

As projeções entre US$ 15 e US$ 33 mostram que parcela relevante da avaliação da XP depende não apenas do crescimento dos lucros, mas também do múltiplo que investidores estarão dispostos a pagar pela companhia. A alta de 30% registrada nesta segunda-feira antecipou parte dessa reprecificação e colocou a ação acima do preço-alvo do cenário-base apresentado pelo Itaú BBA.

Os valores apresentados pelo banco representam cenários de avaliação e não garantia de desempenho futuro. A trajetória da XP continuará dependente da atividade dos mercados, dos juros, da movimentação dos investidores de varejo e da capacidade da companhia de transformar maior volume financeiro em crescimento de receitas e lucros.

Postagens relacionadas

1 of 726