O BB Investimentos promoveu uma das maiores mudanças recentes em sua carteira recomendada de dividendos ao substituir sete dos dez ativos que compunham a seleção anterior. A reformulação marca o início do novo ciclo trimestral da estratégia, que seguirá vigente até agosto de 2026, e reflete uma postura mais defensiva diante do ambiente de maior volatilidade observado no mercado brasileiro.
A decisão foi tomada após um período de desempenho relativamente melhor do que o principal indicador do segmento. Em maio, a carteira registrou queda de 5,27%, enquanto o Índice de Dividendos (IDIV) recuou 7,62% no mesmo intervalo. Apesar da performance superior ao benchmark, os analistas optaram por uma reavaliação mais profunda das posições para adequar o portfólio ao cenário esperado para os próximos meses.
Como resultado, deixaram a carteira as ações da Cemig, Copel, Klabin, Marcopolo, Porto Seguro, Unipar e Vulcabras. Em seus lugares, passaram a integrar a seleção os papéis da Allos, Ambev, Bradesco, Caixa Seguridade, Itaúsa, Taesa e TIM.
Com as alterações, a nova carteira passa a ser composta por Allos, Ambev, Bradesco, Bradespar, Caixa Seguridade, Direcional, Itaúsa, Petrobras, Taesa e TIM. Segundo o BB Investimentos, a escolha busca equilibrar potencial de distribuição de dividendos, valuation atrativo, fundamentos operacionais e perspectivas de curto prazo.
O relatório destaca que movimentos mais intensos de rotação costumam ocorrer em períodos de maior incerteza econômica e financeira. Nesses momentos, a revisão mais frequente das posições é vista como uma forma de preservar o potencial de retorno da estratégia e aumentar a exposição a empresas consideradas mais resilientes.
A nova composição reforça a presença de setores tradicionalmente associados à geração recorrente de caixa e distribuição de proventos. O segmento financeiro ganhou espaço com a entrada de Bradesco, Caixa Seguridade e Itaúsa, enquanto energia elétrica segue representada por Taesa e Petrobras. O setor de telecomunicações passou a contar com a TIM, enquanto consumo básico e shopping centers foram reforçados por Ambev e Allos.
De acordo com o BB Investimentos, essas companhias apresentam características que tendem a oferecer maior previsibilidade de resultados mesmo em um ambiente marcado por juros elevados, incertezas fiscais e maior volatilidade dos ativos domésticos.
A instituição também destaca que a seleção continua baseada em uma metodologia multifatorial. O processo considera não apenas o histórico de pagamento de dividendos, mas também a capacidade futura de geração de caixa, indicadores de valuation e fatores táticos capazes de influenciar o desempenho das ações ao longo do trimestre.
Na avaliação dos analistas, a combinação entre empresas maduras, setores defensivos e ativos com potencial de valorização cria uma carteira mais equilibrada para enfrentar os desafios do mercado brasileiro nos próximos meses, sem abrir mão da busca por renda recorrente aos investidores.
Veja as ações recomendadas pelo BB Investimentos
| Empresa | Ticker | Peso | Dividend Yield Esperado |
| Allos | ALOS3 | 10% | 11,9% |
| Ambev | ABEV3 | 10% | 6,0% |
| Bradesco | BBDC4 | 10% | 8,5% |
| Bradespar | BRAP4 | 10% | 7,9% |
| Caixa Seguridade | CXSE3 | 10% | 8,4% |
| Direcional | DIRR3 | 10% | 7,7% |
| Itaúsa | ITSA4 | 10% | 9,4% |
| Petrobras | PETR4 | 10% | 10,4% |
| Taesa | TAEE11 | 10% | 10,1% |
| Tim | TIMS3 | 10% | 9,5% |










