A conclusão da venda de nove imóveis por R$ 672 milhões marcou mais um passo da estratégia de desalavancagem dos fundos imobiliários TRX Real Estate (TRXF11) e TRX Real Estate II (TRXB11). A operação, finalizada após o cumprimento das etapas previstas no acordo anunciado no fim de 2025, reforça o caixa dos veículos e reduz significativamente o saldo das dívidas vinculadas ao portfólio.
Os ativos negociados estão locados para grandes redes varejistas, incluindo Carrefour, Grupo Mateus e Assaí, e encontram-se distribuídos entre os estados de São Paulo, Bahia, Pernambuco, Pará e Paraíba. O comprador foi um veículo estruturado e administrado por uma afiliada do BTG Pactual.
Segundo a TRX Investimentos, a transação foi desenhada não apenas para monetizar parte do patrimônio dos fundos, mas também para acelerar a redução do endividamento. Do valor total negociado, aproximadamente R$ 291 milhões serão destinados à liquidação de obrigações financeiras associadas aos imóveis vendidos.
Outros R$ 369 milhões serão recebidos diretamente pelos fundos em dinheiro ou por mecanismos previstos contratualmente. Além disso, cerca de R$ 11,6 milhões permanecerão retidos temporariamente como garantia até o cumprimento de determinadas condições estabelecidas na operação.
O principal efeito financeiro da venda será observado na estrutura de capital dos dois FIIs. De acordo com a gestora, o saldo devedor dos Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) vinculados aos imóveis será reduzido em aproximadamente R$ 186 milhões no TRXF11 e em cerca de R$ 102 milhões no TRXB11.
Na prática, a operação diminui a alavancagem dos fundos e reduz despesas financeiras futuras, tema que vem ganhando cada vez mais relevância entre investidores de FIIs em um ambiente ainda marcado por juros elevados. A redução da dívida também tende a ampliar a flexibilidade da gestão para futuras aquisições e reciclagens de portfólio.
Outro destaque da operação envolve a política de distribuição de rendimentos. Com a conclusão da venda dentro do cronograma previsto, a administração decidiu ampliar a vigência do guidance do TRXF11. A projeção agora prevê dividendos mensais entre R$ 0,90 e R$ 0,93 por cota até dezembro de 2026.
A decisão sinaliza confiança da gestora na capacidade de geração de caixa do fundo mesmo após a alienação dos imóveis. Além disso, reforça uma estratégia já adotada pelo TRXF11 nos últimos anos, baseada na reciclagem de ativos maduros para geração de valor aos cotistas e fortalecimento da estrutura financeira do veículo.
Para investidores, a operação também chama atenção pela qualidade dos imóveis envolvidos. Todos os ativos possuem contratos de locação com grandes empresas do varejo alimentar e atacadista, segmento que costuma apresentar elevada demanda por imóveis logísticos e comerciais de grande porte.
A conclusão do negócio ocorre em um momento em que a alavancagem voltou ao centro das discussões do mercado de fundos imobiliários. Com o custo da dívida ainda elevado, operações que permitam redução do passivo sem comprometer a distribuição de rendimentos vêm sendo observadas com atenção pelos investidores.









