A Braskem intensificou as negociações com credores para viabilizar uma recuperação extrajudicial antes dos vencimentos de dívida previstos para julho. A estratégia busca garantir tempo adicional para concluir uma reestruturação financeira que vem sendo discutida com bancos e investidores detentores de títulos da companhia.
Segundo informações obtidas pela Bloomberg junto a fontes próximas às negociações, a petroquímica pretende ingressar com o pedido assim que conquistar o apoio de credores que representem ao menos um terço de sua dívida. Esse percentual permitiria à empresa solicitar uma suspensão temporária de até 90 dias nas obrigações financeiras, período que seria utilizado para ampliar as negociações e buscar adesão da maioria dos credores ao plano definitivo.
A intenção da companhia é apresentar a recuperação extrajudicial já acompanhada de um entendimento preliminar firmado com grupos relevantes de bondholders e instituições financeiras. Durante a fase de proteção judicial, a empresa trabalharia para converter esse apoio inicial em aprovação formal da proposta de reestruturação.
Apesar de a recuperação extrajudicial ser hoje o caminho considerado mais provável, fontes ligadas ao processo afirmam que outras alternativas permanecem em avaliação. Entre elas está a adoção de uma medida cautelar, mecanismo que oferece proteção temporária contra cobranças de credores, além da possibilidade de um pedido formal de recuperação judicial caso as negociações não avancem conforme o esperado.
A discussão sobre mecanismos de proteção financeira não é recente. No início deste ano, quando a situação de liquidez da companhia se deteriorou, a Braskem já havia analisado diferentes alternativas para administrar sua estrutura de capital. Entre as opções estudadas estavam tanto a medida cautelar quanto um eventual pedido de recuperação judicial.
A busca por uma solução ocorre após anos de desafios para a companhia. Além da prolongada crise do setor petroquímico global, a empresa conviveu com tentativas frustradas da Novonor de vender sua participação acionária e com o aumento dos passivos relacionados ao caso geológico de Alagoas. Esses fatores contribuíram para a perda do grau de investimento e elevaram a pressão sobre o balanço da companhia.
Nos últimos meses, entretanto, o ambiente operacional apresentou alguma melhora. As interrupções nas cadeias globais de suprimentos provocadas pela guerra no Oriente Médio ajudaram a sustentar preços e margens da indústria petroquímica, beneficiando empresas do setor.
Essa mudança de percepção também foi refletida no mercado de renda fixa. Dados compilados pela Bloomberg mostram que os bonds da Braskem acumularam retorno próximo de 44% nos últimos três meses, desempenho que figura entre os mais fortes do universo de emissores de mercados emergentes no período.
Especialistas costumam apontar a recuperação extrajudicial como uma alternativa menos traumática para empresas que enfrentam dificuldades financeiras. O mecanismo tende a ser mais rápido e menos custoso do que uma recuperação judicial tradicional, além de preservar parte da rotina operacional da companhia. Uma vez homologado pela Justiça, o acordo passa a ter força legal sobre os credores abrangidos pelo plano.
Ainda assim, caso não haja consenso suficiente ao final do período de negociações, a recuperação judicial continua sendo uma possibilidade para a petroquímica. O desfecho dependerá do nível de adesão dos credores e da capacidade da companhia de construir um acordo considerado sustentável para todas as partes envolvidas.
A movimentação da Braskem ocorre em um momento em que outras grandes empresas brasileiras também vêm recorrendo a mecanismos de reestruturação extrajudicial. Entre os exemplos recentes estão a Raízen, a Companhia Brasileira de Distribuição e a Kora Saúde, que buscaram renegociar passivos por meio de acordos com credores fora de um processo tradicional de recuperação judicial.









