O JP Morgan elevou a recomendação para as units do BTG Pactual (BPAC11) de neutra para overweight, equivalente à compra, reforçando a visão positiva sobre a capacidade do banco de manter crescimento acima da média do setor mesmo em um ambiente macroeconômico mais desafiador. A instituição também revisou o preço-alvo dos papéis de R$ 61 para R$ 66 ao final de 2027, indicando potencial de valorização de aproximadamente 35%.
Segundo os analistas liderados por Yuri Fernandes, o BTG continua sendo a principal escolha do banco entre as instituições ligadas ao mercado de capitais. A avaliação considera a combinação entre ganhos recorrentes de participação de mercado, expansão de receitas em diferentes linhas de negócios e uma estrutura considerada resiliente diante de cenários econômicos mais adversos.
O relatório destaca que o BTG mais do que dobrou sua participação em diversos segmentos desde 2018, incluindo banco de investimento, mercado de ações e crédito corporativo. Mais recentemente, a instituição também ampliou sua presença no crédito consignado privado, fortalecendo novas frentes de crescimento.
Para o JP Morgan, os ganhos de mercado devem continuar nos próximos anos. A expectativa é sustentada tanto pela estratégia de expansão adotada pela administração quanto pela exposição do banco a segmentos que tendem a crescer mesmo em períodos de juros elevados, como gestão de patrimônio, gestão de recursos e financiamento via mercado de capitais.
Embora reconheça que taxas de juros mais altas podem afetar áreas mais dependentes de taxas e comissões, como banco de investimento, os analistas avaliam que outras divisões possuem capacidade suficiente para compensar eventuais desacelerações. Entre elas estão gestão de ativos e patrimônio, responsável por cerca de 22% das receitas, e crédito corporativo, que representa aproximadamente 24% do faturamento da instituição.
A análise também aponta que o valuation segue atrativo. O BTG negocia atualmente a cerca de 8,3 vezes o lucro estimado para 2027, enquanto o JP Morgan projeta crescimento anual composto próximo de 20% no lucro por ação entre 2025 e 2027. O banco também opera a aproximadamente 2,3 vezes o valor patrimonial projetado para 2026, com retorno sobre patrimônio (ROE) estimado entre 25% e 26%.
No segmento de crédito, a instituição americana considera positiva a postura mais conservadora adotada pelo BTG em relação à carteira de pequenas e médias empresas. Segundo o relatório, a administração tem priorizado crescimento com menor exposição ao risco, estratégia considerada adequada para o atual estágio do ciclo econômico.
Os números mais recentes reforçam essa percepção. No primeiro trimestre de 2026, o BTG registrou lucro líquido ajustado de R$ 4,8 bilhões, avanço de 42% na comparação com o mesmo período do ano anterior. O retorno sobre patrimônio alcançou 26,6%, enquanto a receita do banco de investimento cresceu 34%, atingindo o recorde de R$ 9,9 bilhões mesmo em um ambiente marcado por maior volatilidade nos mercados e tensões geopolíticas.










